Óleo de coco pode melhorar o microbioma do couro cabeludo e auxiliar no controle da caspa, aponta estudo

Óleo de coco pode melhorar o microbioma do couro cabeludo e auxiliar no controle da caspa, aponta estudo

A caspa é uma das alterações mais comuns do couro cabeludo, afetando milhões de pessoas em todo o mundo. Trata-se de uma condição inflamatória crônica e recorrente, caracterizada por descamação, prurido e desconforto, podendo impactar significativamente a qualidade de vida.

Embora o tratamento convencional seja baseado principalmente em antifúngicos tópicos, as recidivas são frequentes após a interrupção da terapia. Nesse contexto, pesquisadores têm investigado alternativas capazes de restaurar o equilíbrio do microbioma do couro cabeludo, incluindo o uso do óleo de coco.

Um estudo publicado avaliou como a aplicação tópica de óleo de coco influencia a microbiota bacteriana e fúngica do couro cabeludo em mulheres com e sem caspa.


O microbioma do couro cabeludo

Diferentemente de outras regiões do corpo, o couro cabeludo apresenta uma microbiota relativamente pouco diversa, sendo composta predominantemente por:

  • Cutibacterium acnes (antigo Propionibacterium acnes);
  • Staphylococcus epidermidis;
  • leveduras do gênero Malassezia.

Em indivíduos com caspa, esse equilíbrio encontra-se alterado, sendo comum observar:

  • aumento de Staphylococcus epidermidis;
  • alterações na composição das espécies de Malassezia.

Essas mudanças contribuem para o processo inflamatório e para o aparecimento da descamação característica da doença.


Como foi realizado o estudo?

O estudo teve duração total de 16 semanas, sendo:

  • 12 semanas de tratamento;
  • 4 semanas de acompanhamento sem aplicação do óleo.

Participaram 140 mulheres indianas, divididas em dois grupos:

  • 70 mulheres com couro cabeludo saudável;
  • 70 mulheres com caspa.

Durante o estudo, os pesquisadores avaliaram as alterações no microbioma bacteriano e fúngico do couro cabeludo após o uso regular do óleo de coco.


Quais foram os resultados?

Os benefícios foram mais evidentes sobre o microbioma bacteriano.

Após o tratamento, observou-se aumento significativo de bactérias consideradas associadas a um couro cabeludo saudável, incluindo:

  • Cutibacterium acnes;
  • Propionibacterium spp.

Esse efeito foi observado tanto nas participantes saudáveis quanto naquelas com caspa.


O óleo de coco também alterou a microbiota fúngica

Embora os efeitos sobre os fungos tenham sido menos pronunciados, os pesquisadores também identificaram mudanças importantes.

O tratamento reduziu significativamente a presença da espécie Malassezia restricta (M. restricta), uma das leveduras frequentemente associadas ao desenvolvimento da caspa.

Esses resultados sugerem que o óleo de coco pode contribuir para restaurar parcialmente o equilíbrio do microbioma do couro cabeludo.


Por que o óleo de coco pode apresentar esse efeito?

Segundo os autores, um dos mecanismos propostos está relacionado ao elevado teor de ácido láurico, um ácido graxo com atividade antimicrobiana e antifúngica descrita em estudos experimentais.

Além disso, o óleo de coco é conhecido por:

  • reduzir a perda de água transepidérmica;
  • fortalecer a barreira cutânea;
  • melhorar a hidratação do couro cabeludo após aplicações prolongadas.

Esses efeitos podem criar um ambiente menos favorável ao desequilíbrio microbiológico associado à caspa.


Conclusão

O estudo demonstrou que a aplicação tópica de óleo de coco durante 12 semanas promoveu alterações favoráveis no microbioma do couro cabeludo, aumentando bactérias associadas a um ambiente saudável e reduzindo a presença de Malassezia restricta, uma das espécies relacionadas à caspa. Embora seus efeitos tenham sido mais evidentes sobre a microbiota bacteriana do que sobre a fúngica, os resultados sugerem que o óleo de coco pode atuar como uma estratégia complementar no manejo da caspa e na manutenção da saúde do couro cabeludo.


Relevância para a prática magistral

Os resultados reforçam o potencial do óleo de coco como ingrediente funcional em formulações capilares destinadas ao cuidado do couro cabeludo com caspa. Na prática magistral, ele pode ser incorporado em óleos de tratamento, máscaras capilares, loções e outros cosméticos, aproveitando suas propriedades emolientes e seu possível efeito modulador do microbioma. Entretanto, o óleo de coco não substitui os antifúngicos tópicos nos casos moderados ou graves de dermatite seborreica, podendo ser considerado uma estratégia complementar para manutenção da saúde do couro cabeludo e redução das recidivas.

 

Bibliografia consultada:

Saxena R; et al. Longitudinal study of the scalp microbiome suggests coconut oil to enrich healthy scalp commensals. Sci Rep. 2021.

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