Óleo de melaleuca apresenta eficácia semelhante à clorexidina no controle da gengivite

Óleo de melaleuca apresenta eficácia semelhante à clorexidina no controle da gengivite

O óleo de melaleuca (Melaleuca alternifolia) é conhecido por sua atividade antimicrobiana e vem sendo amplamente explorado em diferentes aplicações dermatológicas. Mais recentemente, seu potencial também tem despertado interesse na odontologia, especialmente na busca por alternativas aos antissépticos convencionais utilizados na higiene bucal.

Entre essas possibilidades está o uso do óleo de melaleuca como enxaguatório bucal para auxiliar no controle da placa bacteriana e da inflamação gengival.

Um estudo publicado na European Journal of Dentistry comparou os efeitos de um enxaguatório contendo óleo de melaleuca com aqueles observados com a clorexidina 0,12%, um dos antissépticos mais utilizados no controle químico da placa e da gengivite.


Como o estudo foi realizado?

O estudo avaliou pacientes com gengivite clinicamente evidente, que foram orientados a incorporar um enxaguatório à rotina habitual de higiene bucal durante 14 dias.

O grupo que recebeu óleo de melaleuca foi orientado a utilizar o equivalente a 9 gotas por dia, divididas entre as três escovações diárias. As gotas eram diluídas em meio copo de água e utilizadas como enxaguatório após a escovação.

O grupo controle recebeu uma solução de clorexidina 0,12%, disponibilizada em embalagens prontas para utilização como enxaguatório bucal.

Ao final de duas semanas, foram avaliados parâmetros relacionados à saúde gengival, incluindo:

  • índice de placa;
  • índice de sangramento;
  • profundidade de sondagem;
  • alterações na coloração dos dentes;
  • alterações no paladar.

Óleo de melaleuca reduziu placa bacteriana e sangramento

Após 14 dias de intervenção, o grupo que utilizou o óleo de melaleuca apresentou melhora expressiva nos parâmetros avaliados.

O índice de placa passou de 53,25% para 5,50%, enquanto o índice de sangramento foi reduzido de 38,41% para 4,22%. Também foi observada melhora na profundidade de sondagem.

No grupo tratado com clorexidina, o índice de placa diminuiu de 47,69% para 2,37% e o índice de sangramento passou de 32,93% para 6,28%.

Dessa forma, ambos os tratamentos demonstraram eficácia na melhora dos parâmetros relacionados à gengivite.


Diferenças na tolerabilidade entre os tratamentos

Embora a clorexidina tenha apresentado redução mais acentuada no índice de placa, algumas diferenças foram observadas quanto à tolerabilidade.

Entre os participantes que utilizaram clorexidina, 20% apresentaram discromia dentária, além de a maioria relatar alterações no sabor dos alimentos.

Por outro lado, não foram observadas alterações de coloração dos dentes nem alterações no paladar entre os participantes que utilizaram o óleo de melaleuca.

Esses aspectos são relevantes porque alterações de sabor e principalmente a pigmentação dentária estão entre os fatores que podem limitar a aceitação e a utilização prolongada de determinados antissépticos bucais.


Óleo de melaleuca pode ser uma alternativa aos antissépticos convencionais?

Os resultados sugerem que o óleo de melaleuca apresentou atividade favorável sobre os parâmetros clínicos de gengivite avaliados no estudo, com melhora do índice de placa, sangramento gengival e profundidade de sondagem.

Além disso, sua utilização durante o período avaliado não esteve associada aos efeitos indesejáveis observados com a clorexidina, especialmente discromia dentária e alteração do paladar.

Entretanto, é importante interpretar esses resultados dentro dos limites do estudo. O período de acompanhamento foi de apenas 14 dias, portanto não é possível concluir, a partir desses dados, que o óleo de melaleuca seja superior à clorexidina em tratamentos de longo prazo ou que apresente menor toxicidade de maneira geral.


Conclusão do estudo

O estudo demonstrou que tanto o óleo de melaleuca quanto a clorexidina 0,12% foram capazes de melhorar parâmetros clínicos relacionados à gengivite após 14 dias de utilização.

O óleo de melaleuca apresentou, adicionalmente, uma vantagem relacionada à tolerabilidade, uma vez que não foram observadas discromia dentária ou alterações no paladar entre os participantes que utilizaram o produto.

Os resultados colocam o óleo de melaleuca como um candidato interessante para o desenvolvimento de estratégias complementares de higiene bucal, embora sejam necessários estudos maiores e com acompanhamento mais prolongado para confirmar sua eficácia, segurança e aplicabilidade clínica.


Relevância para a prática magistral

O estudo apresenta interesse direto para a farmácia magistral, especialmente no desenvolvimento de formulações para higiene e cuidado da cavidade oral.

A possibilidade de utilizar um ativo de origem vegetal com atividade antimicrobiana e potencial para auxiliar no controle da placa e da inflamação gengival pode ampliar as opções de formulações personalizadas para pacientes que apresentam baixa tolerabilidade ou insatisfação com determinados antissépticos convencionais.

Para a prática profissional, o principal destaque está na possibilidade de explorar o óleo de melaleuca como componente de formulações voltadas à saúde bucal, especialmente quando se busca uma alternativa que, no estudo, apresentou boa resposta clínica sem os efeitos de discromia dentária e alteração do paladar observados com a clorexidina.

 

Bibliografia consultada:

Ripari F; et al. Tea Tree Oil versus Chlorhexidine Mouthwash in Treatment of Gingivitis: A Pilot Randomized, Double Blinded Clinical Trial. European Journal of Dentistry, 2020.

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