A osteoartrite é uma das principais causas de dor e limitação funcional, especialmente com o avanço da idade. Caracterizada pela degeneração progressiva das estruturas articulares, a condição está frequentemente associada à inflamação, rigidez, edema e redução da mobilidade.
Segundo dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia, cerca de 85% das pessoas aos 75 anos apresentam evidências radiológicas de degeneração articular, embora apenas uma parcela desenvolva sintomas dolorosos. Diante disso, estratégias capazes de auxiliar no controle da dor e da inflamação têm despertado interesse, principalmente quando podem contribuir para reduzir a necessidade de medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios.
Entre os compostos estudados nesse contexto está o Pycnogenol®, extrato padronizado obtido da casca do pinheiro marítimo (Pinus pinaster), conhecido por suas propriedades antioxidantes e por seu potencial de modulação de processos inflamatórios.
Pycnogenol® e osteoartrite: qual a relação?
A progressão da osteoartrite envolve não apenas o desgaste mecânico da articulação, mas também processos inflamatórios e alterações no metabolismo da matriz extracelular e do colágeno presente na cartilagem.
Nesse contexto, o Pycnogenol® vem sendo investigado por sua capacidade de atuar sobre mecanismos relacionados ao estresse oxidativo e à inflamação. Estudos anteriores já haviam sugerido benefícios do composto no manejo de sintomas relacionados à osteoartrite.
A novidade do estudo em questão foi avaliar uma apresentação transdérmica, aplicada diretamente sobre as regiões dolorosas do joelho.
Estudo avaliou adesivo transdérmico com Pycnogenol®
Os pesquisadores realizaram um estudo observacional com 67 indivíduos com osteoartrite de joelho. Os participantes foram divididos para receber dois adesivos por dia contendo 110 mg de Pycnogenol® ou placebo, durante três semanas.
Além da avaliação dos sintomas, foram analisados parâmetros relacionados à dor, inflamação, edema e função articular. Também foi observado o consumo de medicamentos utilizados para controle da dor e da inflamação.
Redução da dor, inflamação e inchaço
Os resultados apontaram uma melhora mais rápida dos sintomas entre os indivíduos que utilizaram o adesivo contendo Pycnogenol®.
De acordo com os dados apresentados, os participantes que aplicaram o produto nas áreas dolorosas apresentaram:
- 51% de melhora nos escores de dor;
- 64% de redução da inflamação;
- 33% de melhora da função do joelho;
- 66% de redução do inchaço;
- 42,4% dos participantes deixaram de apresentar sintomas de osteoartrite.
Além da melhora dos sintomas locais, foi observada uma redução significativa da proteína C reativa, marcador associado à atividade inflamatória.
Menor utilização de anti-inflamatórios
Um dos resultados que chama atenção para a prática clínica foi a redução da utilização de medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios entre os participantes que receberam Pycnogenol®.
O uso de AINEs foi significativamente menor no grupo que recebeu o composto, correspondendo a 37,5%, em comparação com 84,4% no grupo placebo.
Esse resultado é particularmente relevante considerando que o uso prolongado de AINEs pode estar associado a eventos adversos e que pacientes com osteoartrite frequentemente necessitam de estratégias contínuas para controle dos sintomas.
O que os resultados sugerem?
Os pesquisadores sugerem que os efeitos observados podem estar relacionados à atuação do Pycnogenol® sobre vias inflamatórias, contribuindo para reduzir a inflamação local e sistêmica e, consequentemente, a dor e o edema.
Entretanto, é importante considerar que o estudo teve duração curta, de apenas três semanas, e foi conduzido como estudo observacional. Dessa forma, os resultados são promissores, mas não permitem concluir que o Pycnogenol® seja capaz de modificar a evolução da osteoartrite.
Conclusão do estudo
O estudo demonstrou que a aplicação transdérmica de 110 mg de Pycnogenol® por adesivo, duas vezes ao dia, durante três semanas, esteve associada à melhora de diferentes parâmetros relacionados à osteoartrite de joelho, incluindo dor, inflamação, edema e função articular.
Também foi observada redução no uso de AINEs e nos níveis de proteína C reativa.
Os resultados reforçam o potencial do Pycnogenol® como estratégia complementar para o manejo dos sintomas da osteoartrite, embora sejam necessários estudos clínicos maiores, controlados e de maior duração para confirmar sua eficácia e estabelecer melhor seu papel terapêutico.
Relevância para a prática magistral
Para a Farmácia Magistral, o estudo chama atenção principalmente pela possibilidade de explorar sistemas de liberação transdérmica contendo ativos com potencial anti-inflamatório e antioxidante.
A aplicação diretamente sobre a região dolorosa pode ser interessante dentro de uma estratégia de tratamento individualizado, especialmente para pacientes que apresentam dificuldade com a administração oral ou que necessitam de alternativas para complementar o manejo convencional da osteoartrite.
Bibliografia consultada:
Sociedade Brasileira de Reumatologia
Feragalli, B et al. Pycnogenol: supplementary management of symptomatic osteoarthritis with a patch. An observational registry study. Minerva Endocrinologica, 2019.
