Pastilhas manipuladas: uma forma farmacêutica versátil

Pastilhas manipuladas: uma forma farmacêutica versátil

A pastilha é uma forma farmacêutica diferenciada que costuma agradar tanto crianças quanto adultos. Por apresentar características que favorecem a aceitação do paciente, pode ser uma alternativa interessante para a veiculação de determinados insumos, especialmente aqueles utilizados em baixas doses e com pouco sabor residual.

Essa forma farmacêutica pode ser utilizada quando se deseja que a liberação do princípio ativo se inicie na cavidade oral, orientando o paciente a dissolver lentamente a pastilha como uma bala. Também pode ser desenvolvida para situações em que se busca uma administração sublingual, orientando o paciente a manter a pastilha sob a língua.


Como desenvolver pastilhas na farmácia magistral?

Na farmácia de manipulação, as pastilhas podem ser desenvolvidas utilizando diferentes combinações de polietilenoglicóis (PEGs) e gomas.

Uma combinação simples de PEG + goma pode apresentar bons resultados na formação da pastilha. Também é possível utilizar exclusivamente o PEG 1500 como base para obtenção de pastilhas moldáveis.

A escolha da base, entretanto, pode ser ajustada de acordo com as características desejadas para a formulação.


Sugestão de fórmula

Abaixo, uma sugestão de formulação que pode ser utilizada como ponto de partida para novos desenvolvimentos:

InsumoConcentração
Goma acácia1,5%
Ácido cítrico1%
Edulcoranteq.s.
Aroma e coranteq.s.
PEG 1500q.s.p.

A formulação pode ser adaptada de acordo com o insumo ativo, características organolépticas desejadas e propriedades físicas esperadas para a pastilha.

Técnica de preparo

1. Fundir o PEG 1500.

2. Adicionar o edulcorante e a goma acácia, mantendo a mistura até a completa solubilização.

3. Deixar a preparação esfriar até aproximadamente 55 °C.

4. Adicionar o aroma e o corante.

5. Homogeneizar e realizar a moldagem das pastilhas.


Atenção ao desenvolvimento

A substituição da goma ou a associação com outros PEGs permite modificar as características da preparação. Uma possibilidade é experimentar a inclusão de PEG 4000, que tende a proporcionar maior dureza à formulação.

Assim, pequenas alterações na composição da base podem ser utilizadas para ajustar a dureza, moldabilidade e características sensoriais da pastilha.


Conclusão

As pastilhas representam uma alternativa interessante dentro da manipulação magistral por permitirem trabalhar simultaneamente aceitação, praticidade e diferentes possibilidades de administração na cavidade oral.

Além disso, a possibilidade de modificar a base utilizando diferentes gomas e PEGs permite ao farmacêutico desenvolver preparações com características físicas distintas, tornando essa forma farmacêutica bastante versátil.


Relevância para a prática magistral

As pastilhas apresentam grande potencial para a personalização magistral, principalmente em prescrições que exigem pequenas doses de ativos e quando a adesão ao tratamento pode ser favorecida por uma forma farmacêutica mais agradável.

A possibilidade de ajustar base, dureza, sabor, aroma, cor e tamanho permite desenvolver preparações direcionadas às necessidades de diferentes públicos, incluindo pacientes pediátricos e adultos com dificuldade de deglutição ou que apresentam preferência por formas farmacêuticas orais de dissolução lenta.

Para a farmácia, também representa uma oportunidade de ampliar o portfólio de formas farmacêuticas, oferecendo ao prescritor uma alternativa além de cápsulas, sachês e soluções.

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