Probióticos podem contribuir para a saúde óssea? Revisão reúne evidências em humanos e animais

Probióticos podem contribuir para a saúde óssea? Revisão reúne evidências em humanos e animais

A saúde óssea depende de um delicado equilíbrio entre a formação e a reabsorção do tecido ósseo. Quando esse equilíbrio é comprometido, ocorre redução da densidade mineral óssea (DMO), aumentando o risco de osteopenia, osteoporose e fraturas — um dos principais problemas de saúde pública, especialmente com o avanço da idade.

Nos últimos anos, a microbiota intestinal passou a ser reconhecida como um importante modulador da saúde sistêmica. Além da influência sobre o metabolismo, imunidade e inflamação, estudos sugerem que a composição das bactérias intestinais também pode interferir na remodelação óssea.

Mas será que a suplementação com probióticos realmente melhora a saúde dos ossos?

Uma revisão sistemática e meta-análise publicada na revista Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine reuniu as principais evidências disponíveis para responder essa questão.


Qual a relação entre microbiota intestinal e saúde óssea?

A microbiota intestinal participa de diversos mecanismos que podem influenciar o metabolismo ósseo, incluindo:

  • modulação da resposta inflamatória;
  • produção de metabólitos bioativos;
  • melhora da absorção de minerais, como cálcio e magnésio;
  • influência sobre hormônios envolvidos na remodelação óssea.

Quando ocorre um desequilíbrio da microbiota (disbiose), diversos processos fisiológicos podem ser afetados, contribuindo para doenças metabólicas, cardiovasculares, neurológicas e, possivelmente, para alterações da saúde óssea.


O que avaliou a revisão?

Os pesquisadores reuniram:

  • 44 ensaios clínicos em humanos;
  • 37 estudos experimentais em animais,

avaliando os efeitos da suplementação de probióticos sobre diferentes marcadores relacionados à saúde óssea.

Foram analisados parâmetros como:

  • densidade mineral óssea;
  • cálcio sérico;
  • cálcio urinário;
  • paratormônio (PTH);
  • outros indicadores do metabolismo ósseo.

O que os estudos em humanos mostraram?

A análise dos ensaios clínicos demonstrou que a suplementação com probióticos foi capaz de influenciar alguns marcadores relacionados ao metabolismo ósseo.

Entre os principais achados destacam-se melhorias em:

  • níveis séricos de cálcio;
  • excreção urinária de cálcio;
  • concentrações de paratormônio.

Por outro lado, a revisão observou que não houve melhora significativa da densidade mineral óssea da coluna lombar nem do quadril total, parâmetros considerados importantes na avaliação do risco de osteoporose.

A maioria dos estudos envolveu mulheres com 50 anos ou mais, utilizando principalmente espécies do gênero Lactobacillus.


Quais cepas foram mais utilizadas?

Nos estudos clínicos, as cepas mais investigadas foram:

  • Lactobacillus helveticus
  • Lactobacillus reuteri
  • Lactobacillus casei

Esses probióticos estiveram presentes na maior parte das pesquisas que avaliaram parâmetros relacionados ao metabolismo ósseo.


E os estudos em animais?

Os resultados experimentais foram ainda mais promissores.

Nos 37 estudos com animais, a suplementação com probióticos — isoladamente ou na forma de simbióticos — promoveu melhora consistente em diversos parâmetros relacionados à saúde óssea.

As cepas que apresentaram melhores resultados foram:

  • Lactobacillus reuteri
  • Lactobacillus casei
  • Lactobacillus paracasei
  • Lactobacillus bulgaricus
  • Lactobacillus acidophilus
  • espécies de Bifidobacterium

Esses estudos sugerem um potencial efeito positivo dos probióticos sobre a remodelação óssea e o metabolismo mineral.


Como os probióticos podem atuar nos ossos?

Embora os mecanismos ainda estejam sendo investigados, acredita-se que os probióticos possam contribuir para a saúde óssea por diferentes vias, como:

  • melhora da absorção intestinal de minerais;
  • modulação da resposta inflamatória;
  • produção de ácidos graxos de cadeia curta;
  • influência sobre células envolvidas na formação e reabsorção óssea;
  • interação com hormônios relacionados ao metabolismo do cálcio.

Esses mecanismos ajudam a explicar o crescente interesse no chamado eixo intestino-osso.


Conclusão

Esta revisão sistemática e meta-análise mostra que a suplementação com probióticos pode exercer efeitos favoráveis sobre marcadores do metabolismo ósseo, como cálcio sérico, cálcio urinário e paratormônio. Embora os estudos clínicos não tenham demonstrado melhora significativa da densidade mineral óssea da coluna e do quadril, os resultados observados em modelos experimentais reforçam o potencial da microbiota intestinal como um importante alvo para estratégias voltadas à saúde óssea.


Relevância para a prática magistral

O interesse pelo uso de probióticos na saúde óssea tem aumentado significativamente nos últimos anos, especialmente em estratégias voltadas ao envelhecimento saudável e à saúde da mulher na pós-menopausa. Cepas como Lactobacillus reuteri, L. helveticus, L. casei e algumas espécies de Bifidobacterium aparecem com frequência na literatura científica, ampliando as possibilidades para o desenvolvimento de formulações individualizadas conforme os objetivos clínicos de cada paciente.

 

Bibliografia consultada:

Malmir H; et al. Probiotics as a New Regulator for Bone Health: A Systematic Review and Meta-Analysis. Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine, 2021 .

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