O resveratrol é um composto polifenólico encontrado em alimentos como uvas e derivados e bastante estudado por seu potencial antioxidante e cardiometabólico.
Mas quando o assunto é perfil lipídico, será que aumentar a dose significa necessariamente obter melhores resultados?
Uma meta-análise publicada na Nutrients investigou justamente essa relação, avaliando a resposta do perfil lipídico à diferentes doses de resveratrol.
O que os pesquisadores avaliaram?
Os autores analisaram 17 estudos para investigar os efeitos da suplementação de resveratrol sobre diferentes parâmetros do perfil lipídico:
- colesterol total;
- LDL-C;
- HDL-C;
- triglicerídeos.
Além disso, os pesquisadores avaliaram se a dose utilizada e a duração do tratamento influenciavam os resultados encontrados.
E quais foram os resultados?
De maneira geral, a suplementação de resveratrol esteve associada à redução significativa do colesterol total, LDL-C e triglicerídeos.
Já os níveis de HDL-C não apresentaram alterações significativas.
A duração do tratamento teve influência importante sobre a redução do colesterol, enquanto a dose apresentou relação particularmente relevante com os níveis de LDL-C.
Para os triglicerídeos, por outro lado, a redução observada não foi significativamente influenciada pela dose ou pelo tempo de intervenção.
E aqui está o ponto mais interessante…
A análise de dose-resposta revelou uma relação não linear entre a dose de resveratrol e os níveis de LDL-C.
Segundo os dados analisados, doses menores — especialmente em torno de 5 mg/dia — apresentaram resultados mais favoráveis sobre parâmetros lipídicos, principalmente LDL-C.
Já doses mais elevadas, iguais ou superiores a 500 mg/dia, foram associadas a aumento de LDL-C, peso corporal e IMC.
Ou seja: nesse caso, aumentar a dose não significou aumentar o benefício.
O que podemos concluir?
Os resultados sugerem que o efeito do resveratrol sobre o perfil lipídico pode ser dependente da dose e não necessariamente linear.
Doses menores apresentaram resultados mais favoráveis sobre alguns parâmetros lipídicos, enquanto doses muito elevadas não demonstraram o mesmo comportamento e, nessa análise, estiveram associadas a aumento de LDL-C, peso corporal e IMC.
Por isso, a ideia de que “quanto maior a dose, maior o efeito” não parece se aplicar ao resveratrol quando avaliamos seu impacto sobre o perfil lipídico.
Novos estudos são necessários para compreender melhor essa relação e determinar quais doses apresentam a melhor relação entre eficácia e segurança.
Relevância para a prática magistral
Esse estudo traz uma mensagem especialmente importante para a prática magistral: a personalização da dose importa.
Ao trabalhar com ativos nutracêuticos, não basta conhecer o mecanismo de ação ou simplesmente utilizar doses mais elevadas esperando um efeito proporcionalmente maior. A literatura pode revelar uma curva dose-resposta complexa, na qual determinada concentração apresenta resultados mais favoráveis do que doses superiores.
Para a farmácia magistral, esse tipo de evidência pode ser transformado em material técnico para visitação, auxiliando o prescritor a compreender os estudos disponíveis sobre resveratrol, suas doses avaliadas e os diferentes resultados observados.
A possibilidade de desenvolver formulações individualizadas e ajustar concentrações torna-se especialmente relevante quando a literatura demonstra que a resposta pode variar de acordo com a dose.
Na prática magistral, personalizar também é saber quando aumentar a dose não significa aumentar o benefício.
Bibliografia consultada:
Cao X; et al. The Effect of Resveratrol on Blood Lipid Profile: A Dose-Response Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. Nutrients, 2022.
