Riboflavina na gestação: quando a deficiência pode colocar o bebê em risco?

Riboflavina na gestação: quando a deficiência pode colocar o bebê em risco?

A gestação é um período de maior demanda nutricional, no qual a alimentação precisa fornecer nutrientes suficientes para a saúde materna e o desenvolvimento adequado do feto.

Dietas restritivas, quando realizadas sem acompanhamento profissional, podem aumentar o risco de inadequações nutricionais. Por isso, além da alimentação equilibrada, a avaliação individual da gestante e o acompanhamento de exames são fundamentais.

Quando se fala em suplementação durante a gestação, nutrientes como ácido fólico, vitamina D, ferro, zinco e ômega-3 costumam receber bastante atenção. Já a riboflavina (vitamina B2) é menos lembrada, embora também participe de importantes processos metabólicos.

Um relato de caso publicado na revista Neonatology chama atenção justamente para esse nutriente.


O que aconteceu?

Os pesquisadores relataram o caso de um recém-nascido do sexo masculino que apresentou, logo após o nascimento, alterações metabólicas graves, incluindo:

  • hipoglicemia;
  • acidose láctica;
  • taquipneia;
  • hipotermia.

A criança apresentava um quadro potencialmente grave e necessitou de internação.

Ao investigar o histórico clínico e os exames laboratoriais, os pesquisadores identificaram deficiência de riboflavina.


E qual era o histórico materno?

A mãe seguia uma dieta vegana e realizava suplementação de forma intermitente com ácido fólico, vitamina B12, vitamina D e ômega-3.

A avaliação laboratorial materna também identificou deficiência de riboflavina, além de alterações nos níveis de vitamina D e ferro.

O recém-nascido permaneceu internado e recebeu riboflavina, carnitina e fórmula infantil. Após a intervenção e a estabilização clínica, recebeu alta no 12º dia de vida em boas condições.


O que esse caso nos ensina?

O relato chama atenção para a importância de avaliar o estado nutricional materno durante a gestação, principalmente quando existem dietas restritivas ou padrões alimentares que podem aumentar o risco de inadequação de determinados nutrientes.

A riboflavina participa de diversas reações relacionadas ao metabolismo energético, e sua deficiência pode ter consequências importantes.

Entretanto, é importante lembrar que se trata de um relato de caso. Portanto, ele não permite estabelecer uma relação causal entre a dieta materna e o quadro neonatal nem determinar uma recomendação universal de suplementação de riboflavina para gestantes.


Relevância para a prática magistral

Esse caso reforça uma questão importante para a prática magistral: suplementação na gestação deve ser individualizada.

Para a farmácia de manipulação, existe uma oportunidade de atuar em conjunto com nutricionistas, médicos e outros profissionais que acompanham a gestante, oferecendo formulações personalizadas de vitaminas, minerais e outros nutrientes, de acordo com a avaliação nutricional, exames e prescrição.

Dietas veganas, vegetarianas ou outras estratégias alimentares restritivas merecem atenção especial para que possíveis inadequações sejam identificadas e corrigidas de maneira individualizada.

Na gestação, não existe espaço para suplementação baseada apenas em tendências. Existe espaço para avaliação, acompanhamento e personalização.

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Bibliografia consultada:

Jaerger B; et al. Mind the B2: Life-Threatening Neonatal Complications of a Strict Vegan Diet during Pregnancy. Neonatology, 2022.

 

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