A relação entre a microbiota intestinal e a obesidade ganhou destaque a partir de estudos conduzidos por Jeffrey Gordon e sua equipe, que observaram diferenças na composição do microbioma intestinal entre indivíduos com obesidade e indivíduos magros.
A partir dessas descobertas, diversos estudos passaram a investigar se a modulação da microbiota por probióticos, prebióticos ou simbióticos poderia contribuir para o controle do peso e de alterações metabólicas associadas à obesidade.
O que foi estudado?
Um estudo publicado na Frontiers in Nutrition avaliou uma combinação simbiótica composta por cinco cepas bacterianas associadas a dois prebióticos:
Probióticos:
- Lactobacillus acidophilus;
- Lacticaseibacillus rhamnosus;
- Bifidobacterium bifidum;
- Bifidobacterium longum;
- Enterococcus faecium.
Prebióticos:
- 625 mg de fruto-oligossacarídeo (FOS);
- 400 mg de lactulose.
O estudo incluiu 61 crianças e adolescentes com obesidade, entre 8 e 17 anos, que receberam o simbiótico ou placebo durante 12 semanas.
Além da suplementação, todos os participantes seguiram uma dieta padrão e orientação para aumento da atividade física.
Quais foram os resultados?
No início do estudo, não foram observadas diferenças significativas entre os grupos.
Após as 12 semanas de intervenção, entretanto, o grupo que recebeu o simbiótico apresentou redução em diferentes medidas antropométricas:
| Parâmetro | Redução observada |
|---|---|
| Circunferência da cintura | 6% |
| Circunferência do quadril | 2,4% |
| Peso corporal | 4% |
| IMC | 5,1% |
Os resultados sugerem que a combinação de probióticos e prebióticos pode contribuir para alterações favoráveis na composição corporal quando associada a alimentação adequada e atividade física.
Qual seria o papel do simbiótico?
Os simbióticos combinam probióticos e prebióticos, buscando fornecer microrganismos capazes de exercer efeitos benéficos juntamente com substratos que podem favorecer determinadas populações bacterianas.
Nesse contexto, a modulação da microbiota é estudada como uma possível estratégia para influenciar processos relacionados ao metabolismo energético, controle do peso e saúde metabólica.
Conclusão
Os resultados desse ensaio clínico sugerem que a suplementação com o simbiótico contendo cinco cepas bacterianas, FOS e lactulose, associada à dieta e ao aumento da atividade física, pode contribuir para a redução de peso, IMC e circunferências corporal e abdominal em crianças e adolescentes com obesidade.
Apesar dos resultados promissores, é importante considerar que o estudo envolveu apenas 61 participantes e teve duração de 12 semanas. Portanto, são necessários estudos maiores e com acompanhamento mais prolongado para confirmar a eficácia e avaliar a manutenção desses resultados.
Relevância para a prática magistral
O estudo é particularmente interessante para a farmácia magistral por demonstrar uma estratégia de combinação de diferentes cepas probióticas com prebióticos, reforçando a importância de considerar não apenas a espécie bacteriana, mas também a cepa, associação e quantidade dos componentes no desenvolvimento de formulações destinadas à modulação da microbiota.
Entretanto, por se tratar de uma população pediátrica, a utilização de probióticos e prebióticos deve ser individualizada e fundamentada nas evidências disponíveis para cada cepa e indicação.
Bibliografia consultada:
Yildirim GK; et al. Effects of Multispecies Synbiotic Supplementation on Anthropometric Measurements, Glucose and Lipid Parameters in Children With Exogenous Obesity: A Randomized, Double Blind, Placebo-Controlled Clinical Trial (Probesity-2 Trial). Frontiers in Nutrition, 2022.
