Adultos entre 18 e 60 anos devem dormir pelo menos 7 horas por noite para promover a saúde e o bem-estar, segundo a Academia Americana de Medicina do Sono. Apesar disso, uma parcela significativa da população não alcança essa recomendação.
A qualidade e a duração do sono também parecem estar relacionadas ao metabolismo e ao controle do peso. Estudos associam o sono insuficiente a maior risco de alterações metabólicas, ganho de peso e obesidade, além de maior desejo por alimentos ricos em calorias e carboidratos.
Nesse contexto, pesquisadores da Universidade de Copenhague investigaram se a qualidade e a duração do sono poderiam influenciar a manutenção da perda de peso após uma dieta.
Estudo avaliou adultos com obesidade
O estudo, apresentado no Congresso Europeu de Obesidade de 2022, avaliou 195 adultos com obesidade.
Inicialmente, os participantes seguiram uma dieta com restrição calórica durante oito semanas e perderam, em média, 12% do peso corporal.
Após esse período, os participantes foram acompanhados durante mais 12 meses e distribuídos em quatro estratégias:
- placebo;
- placebo + exercício;
- liraglutida 3 mg/dia;
- liraglutida + exercício.
A qualidade do sono foi avaliada por meio do Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (PSQI). Nesse instrumento, uma pontuação igual ou superior a 5 indica pior qualidade do sono.
Restrição calórica melhorou o sono
Após as oito semanas de dieta, os pesquisadores observaram uma melhora média de 0,8 ponto no escore global do PSQI.
A duração do sono também aumentou em aproximadamente 17 minutos por noite.
Esses resultados sugerem que a própria perda de peso e a mudança no padrão alimentar podem estar acompanhadas de melhorias na qualidade e duração do sono.
Sono ruim esteve associado a maior recuperação do peso
O acompanhamento de longo prazo trouxe resultados interessantes.
Os adultos que dormiam menos de 6 horas por noite ou apresentavam pior qualidade de sono aumentaram seu IMC em aproximadamente 1,1 kg/m² durante o período de acompanhamento.
Em contrapartida, aqueles que alcançaram mais de 6 horas de sono de boa qualidade por noite apresentaram redução média de 0,16 kg/m² no IMC.
Assim, entre os participantes que haviam perdido peso durante a dieta inicial, aqueles com sono insuficiente ou de pior qualidade apresentaram maior tendência à recuperação do peso.
Exercício também parece favorecer o sono
Os pesquisadores observaram ainda que os participantes mais ativos fisicamente conseguiram manter melhor a melhora da qualidade do sono obtida após a dieta, em comparação com aqueles que eram menos ativos.
Esse achado reforça a possível relação entre atividade física, qualidade do sono e manutenção do peso corporal.
Entretanto, é importante interpretar esses resultados com cautela. Como os autores destacam, o estudo demonstra uma associação entre sono e peso, mas não permite afirmar que dormir melhor, isoladamente, seja a causa da manutenção da perda de peso.
Conclusão
Os resultados sugerem que qualidade e duração adequadas do sono podem estar associadas a maior sucesso na manutenção da perda de peso após uma intervenção dietética.
Adultos com obesidade que dormiam menos de seis horas por noite ou apresentavam sono de baixa qualidade tiveram maior aumento do IMC durante o acompanhamento, enquanto aqueles que alcançaram mais de seis horas de sono de boa qualidade apresentaram uma pequena redução do IMC.
Além disso, a atividade física parece contribuir para a manutenção de uma melhor qualidade do sono.
Embora ainda não seja possível estabelecer uma relação causal, os achados reforçam que o controle do peso não deve ser analisado apenas pela alimentação e pelo exercício. O sono também pode fazer parte de uma abordagem mais ampla para a manutenção dos resultados obtidos com o emagrecimento.
Relevância para a prática magistral
O tema apresenta uma oportunidade interessante para a prática magistral voltada ao controle de peso e à saúde metabólica, especialmente porque o sono pode ser um componente frequentemente negligenciado nesses pacientes.
Para a farmácia magistral, o conteúdo pode ser utilizado em materiais destinados a nutricionistas, médicos, endocrinologistas e outros prescritores que trabalham com emagrecimento, mostrando que a abordagem do paciente pode envolver não apenas estratégias para redução de peso, mas também aspectos relacionados à qualidade do sono.
Esse contexto também abre espaço para discutir formulações destinadas ao suporte do sono, sempre considerando a causa da alteração do sono, o perfil do paciente e a necessidade de avaliação profissional. O estudo, entretanto, não avaliou um suplemento ou ativo específico para melhorar o sono, portanto seus resultados não devem ser utilizados para afirmar que determinado nutracêutico seja capaz de promover perda ou manutenção do peso.
