A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma endocrinopatia frequente em mulheres em idade reprodutiva e está associada a diferentes alterações metabólicas, incluindo resistência à insulina, diabetes mellitus tipo 2, hipertensão, dislipidemia, doença cardiovascular e aterosclerose.
As principais estratégias de primeira linha para o manejo da SOP envolvem modificações no estilo de vida, especialmente atividade física e adequação da alimentação. Nesse contexto, o equilíbrio nutricional é considerado importante para o controle da resistência à insulina associada à síndrome.
Suplementação e SOP
Nos últimos anos, diferentes combinações de suplementos alimentares vêm sendo investigadas como estratégias complementares para mulheres com SOP.
Estudos anteriores demonstraram, por exemplo, que a associação de magnésio e vitamina E durante 12 semanas pode produzir efeitos favoráveis sobre parâmetros relacionados ao metabolismo da insulina e marcadores de risco cardiometabólico.
Outra combinação estudada foi a associação de ômega-3 e vitamina E, também durante 12 semanas. Nesses trabalhos, a suplementação esteve relacionada à melhora de índices de resistência à insulina e à redução da testosterona total e livre.
Diante dessas evidências, pesquisadores realizaram uma revisão sistemática de ensaios clínicos para avaliar especificamente os efeitos da vitamina E em mulheres com SOP.
O que mostrou a revisão?
Os pesquisadores inicialmente identificaram 353 artigos relacionados ao tema.
Após a aplicação dos critérios de inclusão, 12 estudos foram selecionados para a análise.
Os resultados indicaram que a suplementação de vitamina E pode promover alterações favoráveis em diferentes parâmetros metabólicos e hormonais.
Parâmetros metabólicos
Entre os principais resultados observados estão:
- redução dos triglicerídeos (TG);
- redução das lipoproteínas de baixa densidade (LDL);
- redução dos níveis de insulina;
- redução do HOMA-IR, marcador utilizado para estimar a resistência à insulina.
Esses achados são particularmente relevantes na SOP, considerando a frequência das alterações metabólicas e da resistência à insulina nessa população.
Parâmetros hormonais
A revisão também identificou alterações importantes no perfil hormonal das participantes.
As mulheres com SOP que utilizaram vitamina E apresentaram:
- redução das concentrações de LH;
- redução da testosterona;
- aumento das concentrações de FSH;
- aumento das concentrações de progesterona.
Assim, os resultados sugerem que os efeitos da vitamina E podem ultrapassar os parâmetros metabólicos, alcançando também aspectos relacionados ao perfil hormonal característico da SOP.
Por que a vitamina E pode ser interessante?
A vitamina E apresenta propriedades antioxidantes e, dentro do contexto da SOP, sua utilização tem sido investigada principalmente pela possível relação entre estresse oxidativo, resistência à insulina, inflamação e alterações hormonais.
Os resultados encontrados na revisão reforçam a possibilidade de que a vitamina E possa atuar como uma estratégia complementar para diferentes manifestações da síndrome.
Conclusão
A revisão sistemática sugere que a suplementação de vitamina E pode exercer efeitos positivos sobre parâmetros metabólicos e hormonais em mulheres com síndrome dos ovários policísticos.
Entre os principais efeitos observados estão a redução de triglicerídeos, LDL, insulina e HOMA-IR, além de alterações favoráveis nas concentrações de LH, testosterona, FSH e progesterona.
Os resultados reforçam o potencial da vitamina E como estratégia complementar no manejo da SOP, especialmente diante da importante relação entre alterações metabólicas e hormonais presentes na síndrome.
No entanto, a suplementação não substitui as medidas de primeira linha, como alimentação adequada, exercício físico e acompanhamento médico, e são necessários estudos adicionais para estabelecer os melhores protocolos de dose, duração e associação com outros nutrientes.
Relevância para a prática magistral
A vitamina E apresenta interessante potencial para a prática magistral, principalmente por permitir sua associação a outros nutrientes em formulações individualizadas destinadas às diferentes manifestações da SOP.
Os resultados também chamam atenção para a possibilidade de desenvolver estratégias combinadas, como vitamina E + magnésio ou vitamina E + ômega-3, que já foram investigadas em estudos clínicos e podem ser consideradas de acordo com as necessidades individuais da paciente e a avaliação do prescritor.
Para a farmácia magistral, o tema é particularmente relevante porque a SOP apresenta um perfil bastante heterogêneo: algumas mulheres apresentam maior comprometimento metabólico, enquanto outras apresentam alterações hormonais mais pronunciadas. A possibilidade de individualizar a composição da fórmula permite direcionar a suplementação aos parâmetros que precisam ser trabalhados.
O conteúdo pode ser especialmente interessante para materiais técnicos destinados a ginecologistas, endocrinologistas e nutricionistas, apresentando a vitamina E dentro de uma abordagem de suporte metabólico e hormonal na SOP.
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Bibliografia consultada:
Tefagh G; et al. Effect of vitamin E supplementation on cardiometabolic risk factors, inflammatory and oxidative markers and hormonal functions in PCOS (polycystic ovary syndrome): a systematic review and meta-analysis. Scientific Reports, 2022.
