8 fitoterápicos estudados para a saúde da tireoide

8 fitoterápicos estudados para a saúde da tireoide

A tireoide é uma glândula endócrina fundamental para o funcionamento do organismo. Seus hormônios participam da regulação do metabolismo, produção de energia, temperatura corporal e diversas outras funções.

Quando sua atividade está alterada, podem surgir diferentes manifestações clínicas. Por isso, o tratamento deve ser individualizado e, quando indicado, realizado com os medicamentos específicos para cada condição.

Fitoterápicos não substituem a terapia hormonal ou o tratamento médico das doenças da tireoide. Entretanto, algumas plantas vêm sendo investigadas por seu possível papel como estratégias complementares para a saúde tireoidiana.

Reunimos abaixo 8 fitoterápicos descritos na literatura e os principais achados relacionados à tireoide.


1. Ashwagandha — Withania somnifera

Um estudo publicado em 2019 avaliou um extrato metanólico de ashwagandha e observou resultados sugestivos de suporte à função tireoidiana, associados à redução do estresse oxidativo e a alterações nos hormônios da tireoide.

Apesar do interesse científico, são necessários mais estudos clínicos para determinar sua real aplicação em diferentes condições tireoidianas.


2. Gengibre — Zingiber officinale

Um estudo com 60 pacientes com hipotireoidismo, entre 20 e 60 anos, avaliou o uso de 500 mg de gengibre duas vezes ao dia durante 30 dias.

Quando comparado ao placebo, o grupo suplementado apresentou redução significativa de:

  • peso corporal;
  • IMC;
  • circunferência da cintura;
  • TSH;
  • triglicerídeos;
  • colesterol.

Os resultados são preliminares, mas sugerem que o gengibre pode ter potencial como estratégia complementar para alguns sintomas e alterações metabólicas associadas ao hipotireoidismo.


3. Atriplex halimus

Estudos descritos na literatura sugerem possível atividade dessa planta em condições relacionadas à hiperatividade e hipoatividade da tireoide, além de seu uso tradicional em alterações tireoidianas.

Entretanto, as evidências ainda são escassas e os possíveis riscos e efeitos adversos não estão bem estabelecidos.

Aqui, a cautela é especialmente importante: os dados disponíveis ainda são insuficientes para estabelecer uma recomendação clínica.


4. Black cumin — Nigella sativa

Um estudo randomizado avaliou 40 pacientes com tireoidite de Hashimoto, entre 22 e 50 anos, durante oito semanas.

Após a intervenção, o grupo que recebeu Nigella sativa apresentou:

  • redução do peso corporal e IMC;
  • redução do TSH;
  • redução dos anticorpos anti-TPO;
  • aumento das concentrações séricas de T3.

O resultado chama atenção principalmente pela alteração de TSH e anti-TPO, mas estudos maiores e com acompanhamento mais prolongado ainda são necessários para confirmar esses achados.


5. Bunium incrassatum

As evidências para esse fitoterápico ainda são pré-clínicas.

Um estudo realizado em ratos em 2022 sugeriu que o Bunium incrassatum poderia contribuir para a recuperação de tecido tireoidiano lesionado em modelos de hiper e hipotireoidismo.

Entretanto, não é possível extrapolar esses resultados diretamente para seres humanos. Estudos clínicos ainda são necessários.


6. Saussurea costus

A Saussurea costus possui histórico de utilização na medicina tradicional e alguns estudos experimentais sugerem possíveis efeitos relacionados à função tireoidiana.

Porém, as evidências científicas disponíveis ainda são limitadas, especialmente em humanos.

Assim, seu potencial permanece como uma possibilidade de investigação e não como uma estratégia terapêutica estabelecida.


7. Agarwood — Aquilaria malaccensis

O agarwood é utilizado tradicionalmente em diferentes aplicações medicinais e também foi investigado experimentalmente em relação ao câncer de tireoide.

Alguns estudos apontam atividade antioxidante e efeitos sobre determinadas linhagens de células cancerígenas.

Mas é importante fazer uma distinção: resultados obtidos em células não significam eficácia contra o câncer em seres humanos.

São necessários estudos clínicos para determinar se esses efeitos apresentam relevância terapêutica e, principalmente, para avaliar sua segurança.


8. Bugleweed — Lycopus spp.

A bugleweed é outro fitoterápico tradicionalmente associado à saúde da tireoide.

Uma revisão citada na literatura aponta potencial para utilização em condições tireoidianas, possivelmente por interferir no metabolismo e utilização do iodo.

Apesar desse potencial, ainda são necessários estudos clínicos mais robustos para estabelecer eficácia, dose, segurança e indicação.


O que podemos concluir?

Os oito fitoterápicos apresentam níveis muito diferentes de evidência.

Enquanto Nigella sativa e gengibre, por exemplo, já foram investigados em estudos clínicos, outros, como Bunium incrassatum e agarwood, apresentam evidências predominantemente experimentais.

Portanto, não é correto colocar todos esses ativos como igualmente eficazes para “tratar a tireoide”.

O que a literatura mostra é que existe um campo promissor de investigação sobre fitoterápicos e função tireoidiana, mas ainda são necessários estudos clínicos maiores, bem controlados e com acompanhamento mais longo.


Relevância para a prática magistral

A saúde da tireoide é um tema que exige informação técnica e bastante cautela na prática magistral. Diferentes condições, como hipotireoidismo, hipertireoidismo e tireoidite autoimune, apresentam mecanismos e necessidades terapêuticas distintas.

Para a farmácia magistral, conhecer as evidências disponíveis permite desenvolver materiais técnicos de apoio à visitação, apresentando ao prescritor quais ativos já possuem estudos clínicos e quais ainda estão restritos a evidências experimentais.

Além disso, a possibilidade de trabalhar com extratos padronizados, diferentes concentrações e formas farmacêuticas permite desenvolver soluções individualizadas quando houver indicação profissional.

O papel da farmácia magistral não é substituir o tratamento da tireoide, mas oferecer ao prescritor informação científica e possibilidades de personalização para estratégias complementares, quando clinicamente apropriadas.

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