Café pode fazer bem ao coração? O tipo de café faz diferença?

Café pode fazer bem ao coração? O tipo de café faz diferença?

O café está entre as bebidas mais consumidas no mundo e, durante muito tempo, seu consumo foi associado a possíveis efeitos negativos sobre o coração, principalmente por causa da cafeína.

Mas será que o café cafeinado e o descafeinado apresentam os mesmos efeitos sobre a saúde cardiovascular?

Pesquisadores australianos realizaram um grande estudo observacional para investigar justamente essa questão, comparando diferentes níveis de consumo de café e seus possíveis impactos sobre doenças cardiovasculares, arritmias e mortalidade.


O que os pesquisadores avaliaram?

O estudo incluiu 449.563 participantes, com idade média de 58 anos, que não apresentavam doença cardiovascular no início da pesquisa.

Entre eles, 22,4% não consumiam café e foram utilizados como grupo de comparação.

Para cada tipo de café, os participantes foram classificados de acordo com o consumo diário:

  • não consumidores;
  • menos de 1 xícara;
  • 1 xícara;
  • 2 a 3 xícaras;
  • 4 a 5 xícaras;
  • mais de 5 xícaras por dia.

Os participantes foram acompanhados durante aproximadamente 12,5 anos, e os pesquisadores avaliaram a ocorrência de doenças cardiovasculares, arritmias e morte por qualquer causa.


E quais foram os resultados?

O consumo de 2 a 3 xícaras de café por dia apresentou associações favoráveis independentemente do tipo de café.

O café descafeinado, nessa quantidade, esteve associado a menor risco de:

  • doenças cardiovasculares;
  • doença arterial coronariana;
  • insuficiência cardíaca;
  • morte por qualquer causa.

Já o café com cafeína também apresentou associação com menor risco de arritmias.

De maneira geral, o consumo de 2 a 3 xícaras diariamente foi a faixa que apresentou de forma mais consistente as associações mais favoráveis entre os diferentes tipos de café.


O que podemos concluir?

Os resultados sugerem que os possíveis benefícios cardiovasculares do café não parecem depender exclusivamente da cafeína, já que associações favoráveis também foram observadas entre consumidores de café descafeinado.

Por outro lado, a associação entre café cafeinado e menor risco de arritmias levanta a possibilidade de que a cafeína possa exercer algum papel específico nesse desfecho.

É importante lembrar que se trata de um estudo observacional. Portanto, os resultados não comprovam que beber café seja responsável pela redução dos riscos observados.

Segundo os autores, os achados também não significam que pessoas com doença cardíaca devam começar a consumir café. A principal mensagem é que pessoas que já possuem o hábito de consumir café podem não precisar evitá-lo simplesmente por receio de efeitos cardiovasculares.


Relevância para a prática magistral

Embora o estudo tenha avaliado o consumo de café como bebida e não uma formulação magistral, seus resultados são interessantes para a farmácia por reforçarem a importância de compreender como diferentes componentes bioativos podem influenciar parâmetros metabólicos e cardiovasculares.

O café contém uma variedade de compostos bioativos, e os resultados observados com a versão descafeinada sugerem que os possíveis efeitos cardiovasculares não devem ser atribuídos exclusivamente à cafeína.

Para a prática magistral, esse tipo de evidência pode contribuir para a elaboração de materiais técnicos sobre cafeína, compostos bioativos e estratégias voltadas à performance, metabolismo e saúde cardiovascular, sempre considerando dose, indicação e individualidade do paciente.

Na prática magistral, conhecer não apenas o ativo, mas também o que a literatura demonstra sobre suas diferentes aplicações, é essencial para transformar evidência científica em informação de valor para o prescritor.

 

Bibliografia consultada:

Chieng D; et al. The impact of coffee subtypes on incident cardiovascular disease, arrhythmias, and mortality: long-term outcomes from the UK Biobank. Eur J Prev Cardiol, 2022.

 

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