A deficiência de vitamina D é frequentemente observada em indivíduos com obesidade. Da mesma forma, estudos observacionais apontam uma elevada prevalência de níveis reduzidos de testosterona nessa população.
Essa relação desperta interesse porque a vitamina D e os hormônios sexuais estão envolvidos em diferentes processos fisiológicos, e estudos anteriores levantaram a hipótese de uma possível associação entre os níveis de vitamina D e a testosterona.
Mas será que homens com obesidade e deficiência de vitamina D apresentam níveis mais baixos de testosterona?
O que os pesquisadores avaliaram?
Um estudo transversal investigou a relação entre os níveis séricos de 25-hidroxivitamina D [25(OH)D] e testosterona em 269 homens jovens e saudáveis com obesidade, definida pelo IMC ≥ 30 kg/m².
Os participantes foram divididos de acordo com os níveis séricos de 25(OH)D:
- 134 homens com suficiência de vitamina D;
- 135 homens com deficiência de vitamina D.
Foram avaliados os níveis de 25(OH)D, testosterona total e livre e outros hormônios sexuais, além da relação desses parâmetros com diferentes graus de obesidade.
E quais foram os resultados?
Quando comparados aos participantes com níveis suficientes de vitamina D, os homens com deficiência de 25(OH)D apresentaram:
- menores níveis de testosterona total;
- menores níveis de testosterona livre.
Os pesquisadores também observaram que o IMC mediava parcialmente a associação entre os níveis de 25(OH)D e a testosterona total nos participantes com obesidade mórbida.
A análise indicou que a associação entre 25(OH)D e testosterona total foi mais evidente nos indivíduos com obesidade mórbida.
O que podemos concluir?
Os resultados sugerem uma associação entre os níveis séricos de vitamina D e testosterona total em homens com obesidade mais grave.
Entretanto, por se tratar de um estudo transversal, não é possível afirmar que a deficiência de vitamina D seja responsável pela redução da testosterona. Também não é possível concluir que a suplementação de vitamina D, por si só, aumentará os níveis de testosterona.
Os mecanismos envolvidos nessa relação ainda precisam ser melhor esclarecidos, e novos estudos são necessários para determinar se existe uma relação causal entre esses dois fatores.
Relevância para a prática magistral
O estudo traz um ponto interessante para a prática magistral: a importância de considerar diferentes parâmetros nutricionais e hormonais dentro da individualidade do paciente, especialmente em situações clínicas complexas como a obesidade.
A vitamina D pode ser trabalhada pela farmácia magistral em formulações individualizadas, permitindo adequar concentração, forma farmacêutica e associações conforme as necessidades identificadas pelo prescritor.
Além disso, estudos como este podem subsidiar a elaboração de materiais técnicos para visitação, ajudando a apresentar ao profissional de saúde novas evidências sobre a relação entre micronutrientes, metabolismo e saúde hormonal.
Na prática magistral, personalizar não significa apenas escolher uma dose. Significa compreender o contexto clínico do paciente e oferecer ao prescritor informações que auxiliem na construção de estratégias individualizadas.
Bibliografia consultada:
Fuentes MD; et al. 25-hydroxyvitamin D and testosterone levels association through body mass index: A cross-sectional study of young men with obesity. Front Endocrinol (Lausanne). 2022
