As catequinas são flavonoides naturalmente presentes nas folhas do chá verde (Camellia sinensis) e têm despertado grande interesse científico devido às suas propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e antivirais. Entre elas, destaca-se o galato de epigalocatequina (EGCG), considerado o principal composto bioativo do chá verde e amplamente estudado por sua capacidade de interferir na infecção por vírus respiratórios, especialmente o vírus influenza.
Uma meta-análise reuniu as principais evidências clínicas sobre o uso de catequinas do chá verde na prevenção de infecções respiratórias, demonstrando resultados promissores tanto com a ingestão oral quanto com o gargarejo contendo extratos ricos em catequinas.
Como o EGCG atua contra o vírus influenza?
Estudos experimentais demonstram que o EGCG exerce ação antiviral principalmente nas fases iniciais da infecção.
Seu mecanismo de ação envolve a interação com proteínas presentes na membrana viral, dificultando etapas fundamentais do processo infeccioso, como:
- adsorção do vírus às células;
- penetração viral;
- fusão da membrana viral com a célula hospedeira.
Dessa forma, acredita-se que o EGCG possa formar uma espécie de barreira protetora na mucosa da faringe, dificultando a disseminação do vírus influenza.
O que mostrou a meta-análise?
A revisão reuniu os resultados de:
- 6 ensaios clínicos randomizados;
- 4 estudos de coorte prospectivos;
totalizando 3.748 participantes.
Os pesquisadores avaliaram duas estratégias de utilização das catequinas:
- ingestão oral de suplementos ricos em catequinas;
- gargarejo com chá verde.
Os resultados mostraram que ambas as abordagens apresentaram efeito preventivo contra infecções respiratórias, especialmente aquelas causadas pelo vírus influenza.
Redução da incidência de sintomas gripais
Os estudos indicam que a suplementação oral com catequinas foi capaz de reduzir a incidência de sintomas gripais em aproximadamente 32,1%.
Além disso, os autores observaram uma relação dose-dependente, sugerindo que maiores ingestões diárias de catequinas estiveram associadas a um efeito preventivo mais pronunciado.
Gargarejo com chá verde também apresentou benefícios
Além da suplementação oral, a meta-análise demonstrou que o gargarejo com chá verde também contribuiu para reduzir a ocorrência de infecções respiratórias.
Esse efeito pode estar relacionado ao contato direto das catequinas com a mucosa da cavidade oral e da faringe, locais onde ocorre o primeiro contato do vírus com o organismo.
Conclusão
As evidências reunidas nesta meta-análise indicam que as catequinas do chá verde apresentam efeito preventivo contra infecções respiratórias, principalmente aquelas causadas pelo vírus influenza. Tanto a suplementação oral quanto o gargarejo com chá verde mostraram reduzir a incidência de sintomas gripais, sendo o EGCG o principal composto associado à atividade antiviral observada.
Relevância para a prática magistral
Os resultados reforçam o potencial das catequinas do chá verde, especialmente do EGCG, como estratégia complementar para prevenção de infecções respiratórias sazonais. Na prática magistral, extratos padronizados de Camellia sinensis podem ser incorporados em formulações orais, desde que utilizadas matérias-primas com padronização adequada em catequinas e EGCG. Embora os achados sejam promissores, esses produtos devem ser considerados como medida complementar e não substituem a vacinação nem outras estratégias de prevenção das infecções virais.
Bibliografia consultada:
Umeda M; et al. Preventive effects of tea and tea catechins against influenza and acute upper respiratory tract infections: a systematic review and meta-analysis. European Journal of Nutrition, 2021.
