BCAA podem auxiliar na recuperação da sarcopenia após o AVC?

BCAA podem auxiliar na recuperação da sarcopenia após o AVC?

A sarcopenia após o acidente vascular cerebral (AVC) pode resultar da combinação de diversos fatores, incluindo a própria lesão cerebral, o estado catabólico sistêmico, alterações na musculatura esquelética e a desnutrição. Por isso, além da reabilitação motora, estratégias nutricionais podem ser importantes durante o período de recuperação.

Nesse contexto, um estudo publicado na Frontiers in Neurology investigou se a suplementação de aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA) poderia auxiliar na recuperação da massa muscular e na melhora funcional de pacientes durante a reabilitação intensiva após um AVC.


Como foi realizado o estudo?

Participaram 54 pacientes que haviam sofrido um AVC recentemente, dentro dos três meses anteriores ao início da pesquisa, e que estavam recebendo terapia intensiva em um centro de reabilitação.

A maioria dos pacientes já apresentava perda de tecido muscular.

Os participantes foram divididos em dois grupos:

  • Grupo BCAA: recebeu 6 g de uma mistura de leucina, isoleucina e valina, duas vezes ao dia, durante 1 mês;
  • Grupo controle: não recebeu a suplementação de BCAA.

Durante esse período, os pacientes continuaram participando do programa intensivo de reabilitação.


BCAA e recuperação da massa muscular

Após um mês de intervenção, os pacientes que receberam BCAA apresentaram melhora significativa da força de preensão manual e da massa muscular esquelética.

No grupo controle, por outro lado, foi observada uma redução da massa muscular.

Esse resultado é particularmente relevante porque a perda de massa muscular pode dificultar a recuperação funcional do paciente após o AVC e comprometer sua independência.


Efeito sobre a recuperação funcional

Os dois grupos apresentaram melhora em diferentes parâmetros funcionais avaliados durante a reabilitação, incluindo:

  • atividades da vida diária;
  • equilíbrio;
  • marcha;
  • deglutição.

Entretanto, a melhora foi mais acentuada no grupo que recebeu BCAA.

Um dado interessante foi observado especificamente na capacidade de caminhar:

  • 46% dos pacientes que receberam BCAA recuperaram a capacidade de andar;
  • 37% daqueles que não receberam BCAA alcançaram essa recuperação.

Os resultados sugerem que a preservação da massa e da força muscular pode contribuir para potencializar os resultados obtidos durante a reabilitação pós-AVC.


Por que os BCAA podem ser interessantes nesse contexto?

Os BCAA — especialmente a leucina — estão relacionados ao metabolismo e à manutenção do tecido muscular.

Durante o período após um AVC, entretanto, o paciente pode apresentar redução da mobilidade, menor ingestão alimentar e aumento do catabolismo, criando um cenário favorável à perda de massa muscular.

A suplementação durante um programa estruturado de reabilitação pode, portanto, representar uma estratégia complementar para ajudar a preservar a musculatura enquanto o paciente recupera gradualmente sua capacidade funcional.


Conclusão

A suplementação de BCAA durante um mês, associada à reabilitação intensiva, esteve relacionada a melhora da força de preensão manual, massa muscular esquelética e desempenho funcional em pacientes que haviam sofrido AVC recentemente.

Embora ambos os grupos tenham apresentado evolução funcional, os resultados foram mais expressivos entre os pacientes que receberam BCAA, incluindo uma maior proporção de recuperação da capacidade de caminhar.

Os autores sugerem que os BCAA podem representar uma terapia adjuvante durante um período crítico da recuperação neurológica pós-AVC, especialmente quando associados a um programa intensivo de reabilitação.


Relevância para a prática magistral

O estudo apresenta grande relevância para a prática magistral, especialmente para formulações destinadas ao suporte nutricional de pacientes em reabilitação pós-AVC e com risco de perda de massa muscular.

Um ponto importante para o desenvolvimento da formulação é que o estudo utilizou uma combinação específica de leucina, isoleucina e valina, na quantidade de 6 g, duas vezes ao dia, durante um mês. Portanto, a evidência apresentada está relacionada a esse protocolo e não deve ser automaticamente extrapolada para qualquer dose ou combinação de aminoácidos.

Para a prática magistral, o trabalho reforça a possibilidade de desenvolver formulações individualizadas de BCAA como estratégia complementar à reabilitação, principalmente em pacientes com perda de massa muscular ou dificuldade de manutenção da força durante a recuperação.

Também chama atenção para a importância de considerar a associação entre suporte nutricional e terapia de reabilitação, já que os benefícios observados ocorreram dentro de um contexto de intervenção intensiva, e não como efeito isolado da suplementação.

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Bibliografia consultada:

Park MK; et al. The Effect of Branched Chain Amino Acid Supplementation on Stroke-Related Sarcopenia. Frontiers in Neurology, 2022.

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