Infecções recorrentes, incluindo as infecções do trato urinário (ITUs) causadas por Escherichia coli, são frequentes em pessoas com diabetes.
Mas o que faz com que esses pacientes sejam mais suscetíveis às infecções?
Um estudo realizado por pesquisadores suecos e publicado na Nature Communications identificou um possível mecanismo relacionado à psoriasina, um peptídeo antimicrobiano presente no organismo e importante para a defesa da mucosa urinária.
O que os pesquisadores investigaram?
Os pesquisadores analisaram amostras de urina, células da bexiga urinária e soro sanguíneo de pacientes com diabetes.
Foram avaliados os níveis de psoriasina e de outros peptídeos envolvidos na manutenção da integridade da mucosa da bexiga e na proteção contra infecções.
Os resultados também foram investigados em camundongos e células da bexiga urinária, com e sem infecção.
E o que foi descoberto?
Os pesquisadores observaram que altas concentrações de glicose reduzem os níveis de psoriasina.
Como consequência, pessoas com diabetes apresentam menor quantidade desse peptídeo antimicrobiano, o que pode comprometer a barreira protetora das células da bexiga.
Essa alteração pode facilitar a colonização por bactérias, contribuindo para o aumento da suscetibilidade às infecções urinárias.
Por que a psoriasina é importante?
A psoriasina faz parte dos mecanismos naturais de defesa do organismo.
Nesse estudo, a relação observada foi:
Maior concentração de glicose → redução da psoriasina → enfraquecimento da defesa da mucosa → maior suscetibilidade à infecção urinária.
O achado ajuda a ampliar a compreensão de por que pessoas com diabetes podem apresentar maior predisposição a determinadas infecções.
O que podemos concluir?
Os resultados identificam um possível mecanismo molecular que conecta a hiperglicemia à redução da defesa antimicrobiana da bexiga.
Segundo os autores, compreender melhor essa relação poderá contribuir futuramente para o desenvolvimento de novas estratégias destinadas a reduzir o risco de infecções em pessoas com diabetes.
É importante destacar que o estudo não demonstra que a suplementação de psoriasina ou de outros peptídeos seja capaz de prevenir ou tratar infecções urinárias. São necessários novos estudos para determinar como esse mecanismo poderá ser utilizado terapeuticamente.
Relevância para a prática magistral
A descoberta de mecanismos relacionados aos peptídeos antimicrobianos e à imunidade de mucosas abre uma linha interessante de investigação para a farmácia magistral, especialmente dentro do desenvolvimento de materiais técnicos voltados à saúde metabólica, imunidade e infecções recorrentes.
Para a farmácia, acompanhar pesquisas como essa permite identificar novos mecanismos biológicos e potenciais alvos terapêuticos, transformando descobertas científicas recentes em conteúdo técnico para apresentação aos prescritores.
Bibliografia consultada:
Mohanty S; et al. Diabetes downregulates the antimicrobial peptide psoriasin and increases E. coli burden in the urinary bladder. Nature Communications, 2022.
