A melatonina é conhecida principalmente por sua atuação na regulação do ciclo sono-vigília. Porém, pesquisas também investigam seus possíveis efeitos sobre o sistema cardiovascular, especialmente por suas propriedades antioxidantes e sua participação na regulação de processos fisiológicos.
Um novo ensaio clínico avaliou se a suplementação de melatonina poderia trazer benefícios para pacientes com insuficiência cardíaca estável com fração de ejeção reduzida.
O que os pesquisadores avaliaram?
O estudo, publicado na Clinical Cardiology, envolveu 85 pacientes diagnosticados com insuficiência cardíaca estável com fração de ejeção reduzida.
Durante 24 semanas, os participantes receberam:
- 10 mg de melatonina todas as noites; ou
- placebo.
Um dos principais parâmetros avaliados foi o NT-proBNP, um biomarcador utilizado na avaliação da insuficiência cardíaca.
No início do estudo, os dois grupos apresentavam níveis semelhantes do marcador.
E quais foram os resultados?
Após 24 semanas, os pacientes que receberam melatonina apresentaram redução significativa dos níveis de NT-proBNP.
No grupo melatonina, os níveis chegaram a aproximadamente 221,1 ng/L, enquanto no grupo placebo houve um pequeno aumento, alcançando cerca de 332,1 ng/L.
Além disso, os participantes que utilizaram melatonina apresentaram melhorias significativas em:
- desfechos clínicos;
- qualidade de vida;
- classificação funcional da insuficiência cardíaca segundo a NYHA.
O que podemos concluir?
Os resultados sugerem que a suplementação de 10 mg de melatonina por 24 semanas pode estar associada à redução do NT-proBNP e à melhora de alguns parâmetros clínicos e de qualidade de vida em pacientes com insuficiência cardíaca estável com fração de ejeção reduzida.
Entretanto, trata-se de um estudo com amostra relativamente pequena, e são necessários estudos maiores para confirmar esses resultados e determinar quais grupos de pacientes poderiam obter maior benefício.
Portanto, os achados são promissores, mas não significam que a melatonina substitua o tratamento convencional da insuficiência cardíaca.
Relevância para a prática magistral
A melatonina é um exemplo de insumo que pode ser explorado pela farmácia magistral em estratégias personalizadas, especialmente diante do interesse crescente por abordagens que envolvem sono, estresse oxidativo e saúde cardiovascular.
Estudos como este também podem gerar materiais técnicos para visitação, permitindo apresentar ao prescritor novas evidências sobre ativos já conhecidos, seus possíveis mecanismos de ação, doses estudadas e os limites das evidências disponíveis.
A possibilidade de trabalhar com diferentes dosagens e formas farmacêuticas permite que a farmácia magistral participe da construção de estratégias individualizadas, sempre de acordo com a avaliação e indicação do prescritor.
Para o Magistral Guide, esse é o papel da informação científica aplicada: transformar estudos recentes em conteúdo técnico que ajude a farmácia a conversar melhor com o prescritor e apresentar possibilidades de personalização.
Bibliografia consultada:
Hoseini SG; et al. Melatonin supplementation improves N-terminal pro-B-type natriuretic peptide levels and quality of life in patients with heart failure with reduced ejection fraction: Results from MeHR trial, a randomized clinical trial. Clinical Cardiology, 2022.
