As aftas recorrentes estão entre as lesões mais comuns da cavidade oral e podem causar dor intensa, dificultando a alimentação, a fala e até mesmo a higiene bucal. Embora normalmente cicatrizem espontaneamente entre 10 e 14 dias, diversos ativos podem ser utilizados para aliviar os sintomas, acelerar a cicatrização e melhorar o conforto do paciente.
Inspirado em uma revisão publicada no Journal of Dermatological Treatment e aliado à experiência prática da farmácia magistral, reunimos os principais ativos utilizados no tratamento tópico das aftas e algumas sugestões de formulações.
O que são as aftas?
As aftas, também conhecidas como úlceras aftosas recorrentes, são pequenas lesões ulceradas que acometem principalmente a mucosa oral.
Apesar de sua causa exata ainda não ser totalmente conhecida, diversos fatores podem favorecer seu aparecimento, entre eles:
- estresse;
- pequenos traumas locais;
- alimentos cítricos ou muito condimentados;
- alterações gastrointestinais;
- predisposição individual.
Curiosamente, sua ocorrência tende a diminuir com o avanço da idade, tornando-se menos frequente após os 40 anos.
Existe cura?
Até o momento, não existe um tratamento capaz de impedir definitivamente o aparecimento das aftas.
O objetivo da terapia é:
- reduzir a dor;
- diminuir o processo inflamatório;
- acelerar a cicatrização;
- proteger a lesão;
- melhorar a qualidade de vida durante o episódio.
Principais ativos utilizados no tratamento tópico
Diversos insumos disponíveis na farmácia magistral podem ser utilizados isoladamente ou em associação.
Entre os mais empregados destacam-se:
| Tintura de própolis | Triancinolona | Lidocaína | Dexametasona |
| Tintura de calêndula | Violeta Genciana | Nitrato de prata | Aloe vera |
| Tintura de benjoim | Alúmen de potássio | Curcumina | Vitamina B12 |
| Tintura de mirra | Tintura de camomila |
Cada ativo possui finalidade específica, podendo exercer ação anti-inflamatória, anestésica, cicatrizante, antisséptica ou protetora da mucosa.
Principais formas farmacêuticas
As apresentações mais utilizadas incluem:
- soluções para aplicação local;
- enxaguatórios bucais;
- pomadas em Orabase
A base Orabase apresenta boa adesão à mucosa oral, formando uma película protetora que aumenta o tempo de contato dos ativos com a lesão.
Sugestões de formulações:
| Pomada Orabase com triancinolona | |
| Acetonido de triancinolona | 0,1% |
| Pomada orabase | qsp |
.
| Solução anestésica com violeta genciana | |
| Violeta genciana | 2% |
| Lidocaína cloridrato | 2% |
| edulcorante | qs |
| conservante | qs |
| água deionizada | qsp |
.
| Pomada Orabase de própolis | |
| Própolis | 5% |
| Pomada orabase | qsp |
.
| Fitoterápico para aftas | |
| Tintura de própolis | 5% |
| Tintura de camomila | 5% |
| Tintura de mirra | 5% |
| Tintura de calêndula | 5% |
| Alumen de potássio | 0,5% |
| Lidocaína cloridrato | 1% |
| água deionizada | qsp |
Como escolher os ativos?
A escolha da formulação depende do objetivo terapêutico.
- Dor intensa: lidocaína pode proporcionar alívio imediato.
- Inflamação importante: corticosteroides tópicos, como triancinolona, são amplamente utilizados.
- Cicatrização: própolis, calêndula, camomila, aloe vera e mirra são opções frequentemente empregadas.
- Proteção da mucosa: Orabase® aumenta o tempo de permanência dos ativos sobre a lesão.
A associação de ativos com diferentes mecanismos de ação permite desenvolver formulações personalizadas para cada paciente.
Conclusão
Embora não exista cura definitiva para as aftas recorrentes, diversas opções terapêuticas tópicas podem aliviar os sintomas e favorecer a cicatrização. A farmácia magistral oferece grande flexibilidade para personalizar formulações, combinando ativos que atuam de forma complementar e proporcionando maior conforto ao paciente durante o processo de recuperação.
Relevância para a prática magistral
As aftas recorrentes representam uma demanda frequente na farmácia magistral. A ampla disponibilidade de ativos com propriedades anestésicas, anti-inflamatórias, cicatrizantes e antissépticas permite elaborar formulações individualizadas, adaptadas à intensidade dos sintomas e às necessidades de cada paciente, ampliando as possibilidades terapêuticas da manipulação.
Bibliografia consultada:
Saikaly SK; Saikaly TN; Saikaly LE. Recurrent Aphthous Ulceration: A Review of Potential Causes and Novel Treatments, Journal of Dermatological Treatment, 2018
Lotufo et al. Clinical evaluation of the topical use of própolis in recurrent minor aphthous ulceration. Clinical or Laboratorial Research Manuscript, 2005
