O óleo de argan é amplamente utilizado em produtos destinados ao cuidado dos cabelos, especialmente por sua aplicação em formulações voltadas à hidratação, nutrição e proteção dos fios. Apesar de seu uso difundido na cosmética, ainda são relativamente poucos os estudos científicos que investigam seus efeitos sobre a estrutura capilar.
Recentemente, uma pesquisa publicada no Journal of Cosmetic Dermatology avaliou se o pré-tratamento dos cabelos com óleo de argan poderia oferecer proteção contra danos provocados por agentes oxidantes.
Estudo avaliou o efeito protetor do óleo de argan
Para investigar essa hipótese, os pesquisadores utilizaram mechas de cabelo humano e as dividiram em três grupos.
No primeiro grupo, os fios foram submetidos diretamente ao agente oxidante, sem qualquer tratamento prévio. No segundo, as mechas receberam pré-tratamento com óleo de argan antes da exposição ao agente oxidante, sendo posteriormente submetidas à remoção física do óleo.
Já no terceiro grupo, os cabelos também foram previamente tratados com óleo de argan e posteriormente expostos ao agente oxidante. Nesse caso, entretanto, o óleo foi removido por meio de um procedimento de lavagem.
A comparação entre os grupos permitiu avaliar se a aplicação prévia do óleo poderia preservar a estrutura proteica dos fios mesmo após sua remoção.
Óleo de argan permaneceu depositado nos fios após a lavagem
Um dos achados importantes do estudo foi a identificação de deposição de óleo de argan nos cabelos mesmo após o procedimento de lavagem.
Esse resultado sugere que parte do óleo permanece associada à fibra capilar, podendo contribuir para uma proteção prolongada da estrutura do fio.
A avaliação da perda de proteínas também reforçou essa hipótese. As mechas que receberam pré-tratamento com óleo de argan apresentaram redução significativa da perda proteica após a exposição ao dano oxidativo, quando comparadas aos cabelos submetidos apenas ao agente oxidante.
Proteção contra o dano oxidativo
A exposição a agentes oxidantes pode provocar alterações na estrutura da fibra capilar e favorecer a perda de proteínas, comprometendo propriedades importantes do cabelo.
No estudo, o pré-tratamento com óleo de argan reduziu significativamente essa perda de proteínas. O efeito foi observado mesmo quando o óleo foi posteriormente removido, indicando que sua aplicação anterior ao dano oxidativo foi capaz de proporcionar uma proteção mensurável à fibra capilar.
Esses resultados sugerem que o óleo de argan pode atuar como um agente de proteção da estrutura do cabelo diante de agressões oxidativas.
Conclusão do estudo
Os resultados demonstraram que o pré-tratamento dos cabelos com óleo de argan foi capaz de reduzir significativamente a perda de proteínas provocada pelo dano oxidativo.
Além disso, a presença de óleo na fibra capilar mesmo após a lavagem pode contribuir para explicar o efeito protetor observado.
Embora sejam necessários estudos adicionais para compreender melhor os mecanismos envolvidos e determinar como esses resultados se traduzem para diferentes condições de uso em humanos, os achados reforçam o potencial do óleo de argan como ingrediente cosmético destinado à proteção da fibra capilar.
Relevância para a prática magistral
Para a Farmácia Magistral, os resultados são interessantes principalmente para o desenvolvimento de formulações capilares destinadas à proteção dos fios contra agressões químicas e oxidativas.
O estudo fornece suporte científico para a utilização do óleo de argan em estratégias cosméticas voltadas à proteção da fibra capilar, especialmente em produtos destinados a cabelos submetidos a procedimentos que podem favorecer danos estruturais.
Na prática magistral, o óleo pode ser explorado em diferentes propostas cosméticas, considerando a possibilidade de associação com outros ativos destinados à hidratação, nutrição e proteção da fibra. A escolha do veículo e da concentração, entretanto, deve considerar o objetivo da formulação e as características do cabelo.
Bibliografia consultada:
Sharifi N; et al. Argan oil as a pretreatment of human hair before exposure to oxidative damage: Attenuated total reflectance and protein loss studies. Journal of Cosmetic Dermatology, 2022.
