Vitamina K pode proteger células contra a ferroptose

Vitamina K pode proteger células contra a ferroptose

A ferroptose é uma forma de morte celular regulada na qual o ferro desempenha um papel central e que se caracteriza pelo acúmulo de danos oxidativos nas membranas celulares.

Por estar relacionada a diferentes doenças degenerativas, a ferroptose vem despertando grande interesse científico. Com isso, pesquisadores buscam identificar novos mecanismos capazes de controlar esse processo e impedir a morte celular.


O que a vitamina K tem a ver com a ferroptose?

Pesquisadores alemães identificaram que formas de vitamina K, incluindo a filoquinona (vitamina K1) e a menaquinona-4 (vitamina K2), são capazes de proteger células e tecidos contra a ferroptose.

O estudo, publicado na revista Nature, investigou os mecanismos envolvidos nessa proteção.

Os pesquisadores descobriram que a forma totalmente reduzida da vitamina K atua como um potente antioxidante lipossolúvel, protegendo as membranas celulares contra a oxidação ao neutralizar radicais de oxigênio presentes nas bicamadas lipídicas.


O papel da FSP1

Um dos principais achados do trabalho foi a identificação da FSP1 (ferroptosis suppressor protein 1) como uma enzima capaz de promover a redução da vitamina K, formando sua versão reduzida e biologicamente ativa nesse contexto.

Dessa maneira, a FSP1 participa de um sistema antioxidante capaz de impedir a propagação da oxidação lipídica e, consequentemente, suprimir a ferroptose.

Os pesquisadores também observaram que essa via de redução da vitamina K é insensível à varfarina.

Esse achado é particularmente relevante porque a vitamina K participa dos processos de coagulação sanguínea e a varfarina atua justamente interferindo no metabolismo da vitamina K.


Por que esse achado é importante?

A descoberta amplia o conhecimento sobre as funções biológicas da vitamina K e revela um mecanismo até então pouco conhecido relacionado à proteção das membranas celulares contra danos oxidativos.

Segundo os autores, o trabalho pode servir como ponto de partida para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas para doenças nas quais a ferroptose esteja envolvida.

Além disso, os pesquisadores levantam uma hipótese interessante: considerando que a ferroptose pode representar uma das formas mais antigas de morte celular, a vitamina K poderia estar entre os antioxidantes naturais mais antigos utilizados pelo organismo para proteger as células.


Conclusão

O estudo demonstra que vitaminas K1 e K2 podem atuar como supressores da ferroptose, por meio de sua forma reduzida, que exerce atividade antioxidante nas membranas celulares.

O mecanismo identificado envolve a enzima FSP1, responsável pela redução da vitamina K e pela manutenção de sua capacidade de impedir a peroxidação lipídica.

Embora o achado seja promissor, trata-se de uma descoberta mecanística e pré-clínica, não sendo possível concluir, a partir desse estudo, que a suplementação de vitamina K tenha efeito terapêutico contra doenças degenerativas em humanos.

 

Bibliografia consultada:

Mishima E; et al. A non-canonical vitamin K cycle is a potent ferroptosis suppressor. Nature, 2022.

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