Zinco pode auxiliar no controle glicêmico e nos fatores de risco cardiovascular?

Zinco pode auxiliar no controle glicêmico e nos fatores de risco cardiovascular?

Diversos estudos relatam que pessoas com diabetes apresentam maior frequência de deficiência de zinco quando comparadas a indivíduos sem a doença. Além disso, níveis reduzidos de zinco têm sido associados a alterações relacionadas ao controle glicêmico em pessoas com diabetes tipo 2.

Diante dessas observações, pesquisadores realizaram uma revisão sistemática e meta-análise para investigar se a suplementação de zinco poderia contribuir para a melhora de fatores de risco relacionados ao diabetes tipo 2 e às doenças cardiovasculares.


O estudo avaliou dose e duração da suplementação

Um dos pontos interessantes da pesquisa foi justamente a avaliação dos efeitos de acordo com dose e duração do tratamento.

Foram selecionados 27 estudos, posteriormente analisados considerando:

  • baixa dose: <25 mg/dia;
  • alta dose: ≥25 mg/dia;
  • curta duração: <12 semanas;
  • longa duração: ≥12 semanas.

Os pesquisadores avaliaram diferentes marcadores metabólicos relacionados ao diabetes tipo 2 e ao risco cardiovascular.


Efeitos observados com diferentes doses

A suplementação com zinco em baixa dose (<25 mg/dia) apresentou benefícios significativos sobre:

  • glicemia de jejum;
  • resistência à insulina;
  • triglicerídeos;
  • colesterol total;
  • colesterol LDL.

Já a suplementação com doses mais elevadas (≥25 mg/dia) apresentou benefício principalmente sobre:

  • resistência à insulina;
  • hemoglobina glicada.

Esses resultados sugerem que a resposta à suplementação pode variar de acordo com a quantidade de zinco utilizada.


A duração também parece influenciar os resultados

Quando os estudos foram agrupados de acordo com o tempo de intervenção, os pesquisadores observaram resultados diferentes.

Intervenções com menos de 12 semanas

A suplementação de curta duração apresentou melhora significativa em:

  • glicemia de jejum;
  • resistência à insulina;
  • triglicerídeos.

Intervenções com 12 semanas ou mais

Nos estudos de maior duração, foram observadas melhorias em:

  • glicemia de jejum;
  • triglicerídeos;
  • colesterol total;
  • colesterol LDL.

Assim, os resultados relacionados ao perfil lipídico parecem ter sido mais evidentes nos protocolos de maior duração.


Baixa dose e maior duração

Entre as diferentes combinações avaliadas, os autores destacaram que a suplementação com zinco em baixa dose e por períodos mais prolongados foi a estratégia que apresentou melhora nos diferentes fatores de risco avaliados.

Esse achado é especialmente interessante porque demonstra que mais zinco não necessariamente significa maior benefício.

A análise sugere que doses inferiores a 25 mg/dia, quando utilizadas por períodos ≥12 semanas, podem apresentar efeitos favoráveis sobre diferentes parâmetros metabólicos.


Conclusão

A revisão sistemática e meta-análise envolvendo 27 estudos sugere que a suplementação de zinco pode contribuir para melhorar alguns fatores de risco relacionados ao diabetes tipo 2 e às doenças cardiovasculares.

Os resultados mais consistentes foram observados sobre glicemia de jejum, resistência à insulina, triglicerídeos, colesterol total e LDL, com diferenças de acordo com a dose e a duração da suplementação.

Os autores destacaram que a estratégia envolvendo baixa dose (<25 mg/dia) e maior duração (≥12 semanas) apresentou benefícios sobre um conjunto mais amplo dos parâmetros avaliados.

Apesar dos resultados promissores, a suplementação deve ser individualizada, considerando o estado nutricional do paciente e a ingestão total de zinco, uma vez que doses excessivas também podem causar efeitos adversos.


Relevância para a prática magistral

O estudo apresenta boa relevância para a prática magistral, especialmente por demonstrar que a escolha da dose e do tempo de suplementação pode influenciar os resultados obtidos com o zinco.

Para a farmácia magistral, o dado mais interessante é que os resultados favoráveis não foram necessariamente associados às maiores doses. A estratégia de baixa dose por período mais prolongado apresentou melhora em diferentes marcadores metabólicos, o que reforça a importância de uma prescrição individualizada em vez da utilização indiscriminada de doses elevadas.

O conteúdo pode ser especialmente interessante para materiais técnicos destinados a endocrinologistas, nutricionistas, clínicos e profissionais que acompanham pacientes com diabetes tipo 2, apresentando o zinco como uma possível estratégia nutricional adjuvante.

 

Bibliografia consultada:

Pompano LM; Boy E. Effects of Dose and Duration of Zinc Interventions on Risk Factors for Type 2 Diabetes and Cardiovascular Disease: A Systematic Review and Meta-Analysis. Advances in Nutrition, 2021.

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