Isomalte: uma alternativa para preparar balas e pirulitos duros sem açúcar

Isomalte: uma alternativa para preparar balas e pirulitos duros sem açúcar

Depois de compreender a diferença entre isomaltulose e isomalte, é possível explorar as características do isomalte para desenvolver balas e pirulitos duros na farmácia magistral.

Assim como o açúcar, o isomalte apresenta uma característica interessante para esse tipo de preparação: quando aquecido e fundido, pode ser posteriormente moldado e formar uma estrutura rígida e cristalina.


Sobre o isomalte

O isomalte é produzido a partir da isomaltulose por meio de uma reação de hidrogenação. O resultado é um poliol com aproximadamente 50% do dulçor da sacarose, valor calórico reduzido de aproximadamente 2 kcal/g, característica não cariogênica e sem efeito refrescante.

Suas propriedades físicas e químicas são semelhantes às do açúcar, apresentando elevada estabilidade química, térmica, enzimática e microbiológica.

O ponto de fusão do isomalte fica em torno de 145–150 °C. Após a fusão, o material pode ser moldado e, ao resfriar, formar uma estrutura rígida, possibilitando a preparação de balas e pirulitos duros sem açúcar.


Atenção ao efeito gastrointestinal

Apesar de ser uma alternativa ao açúcar, o isomalte é um poliol e seu consumo em quantidades elevadas pode provocar desconfortos gastrointestinais, principalmente gases e diarreia, especialmente em pessoas mais sensíveis.

Por isso, a recomendação é trabalhar com porções pequenas.


Como preparar balas e pirulitos de isomalte?

Para o desenvolvimento, serão necessários:

  • chapa de aquecimento;
  • recipiente de inox ou alumínio;
  • isomalte;
  • corantes;
  • aromas líquidos;
  • moldes resistentes a altas temperaturas, como moldes de silicone.

Técnica de preparo

1. Fusão

Coloque o isomalte no recipiente de inox e aqueça lentamente até sua completa fusão.

É importante controlar o aquecimento para evitar que o isomalte queime.

2. Adição de corante e aroma

Com o isomalte ainda líquido, adicione o corante e o aroma.

Como a temperatura da preparação estará acima de 100 °C, pode ocorrer evaporação da água presente nos corantes e aromas líquidos, modificando a intensidade da cor e do aroma no produto final.

Por isso, é importante realizar testes prévios para determinar as melhores condições de incorporação.

3. Moldagem

Despeje a preparação ainda quente nos moldes e deixe resfriar em temperatura ambiente.

4. Desenforme e acondicione

Depois que a preparação estiver completamente fria e rígida, desenforme e realize o acondicionamento.


Uma perda que precisa ser considerada

Assim como acontece com o açúcar durante a produção de balas, o isomalte fundido apresenta elevada aderência aos utensílios, podendo permanecer aderido ao recipiente e aos equipamentos.

Essa característica pode resultar em uma perda considerável de material durante o processo, algo que deve ser levado em consideração durante o desenvolvimento e a determinação do rendimento da preparação.


E se for necessário incorporar um ativo?

Caso o prescritor solicite a incorporação de algum ativo na bala ou no pirulito, é fundamental avaliar previamente a estabilidade térmica do insumo.

Como o isomalte é processado em temperaturas próximas de 145–150 °C, muitos ativos podem não apresentar estabilidade suficiente para suportar essas condições.

Portanto, antes de incorporar qualquer princípio ativo, é necessário estudar cuidadosamente sua estabilidade frente a altas temperaturas.


Outra possibilidade: pirulito à base de PEGs

Uma alternativa para desenvolver um pirulito sem açúcar é utilizar uma mistura de PEGs.

Essa estratégia também permite obter pirulitos firmes, porém a preparação não apresenta a mesma dureza característica daqueles produzidos com açúcar ou isomalte.

Nesse caso, os materiais necessários são:

  • chapa de aquecimento;
  • recipiente de vidro, inox ou alumínio;
  • PEG 1500;
  • PEG 4000;
  • corantes;
  • aromas líquidos;
  • moldes.

Como a temperatura de processamento é menor, podem ser utilizados moldes plásticos adequados ao processo.

Uma proporção sugerida como ponto de partida é:

InsumoProporção
PEG 150090%
PEG 400010%

Técnica de preparo

1. Coloque os PEGs no recipiente e aqueça lentamente até a completa fusão.

2. Aguarde a temperatura atingir aproximadamente 55 °C.

3. Adicione o edulcorante, aroma e corante e homogeneíze.

4. Despeje a preparação nos moldes e mantenha em temperatura ambiente até solidificação.

5. Após o resfriamento completo, desenforme e acondicione.


Isomalte ou PEGs?

As duas estratégias podem ser utilizadas para desenvolver formas farmacêuticas diferenciadas, mas apresentam características distintas.

CaracterísticaIsomaltePEGs
BasePoliolPolietilenoglicóis
DurezaAltaMenor
Temperatura de processamentoAltaMais baixa
Necessidade de molde resistente ao calorSimMenor
Possibilidade de desenvolver bala duraSimMais limitada
Incorporação de ativos termossensíveisDesfavorávelPotencialmente mais interessante

A escolha deve considerar principalmente as características do ativo, a dureza desejada, a temperatura de processamento e o objetivo da formulação.


Conclusão

O isomalte apresenta características físico-químicas que permitem utilizá-lo como base para balas e pirulitos duros sem açúcar, oferecendo à farmácia magistral uma alternativa interessante para desenvolver formas farmacêuticas diferenciadas.

A possibilidade de combinar corantes, aromas e diferentes formatos também favorece a personalização e pode melhorar a experiência do paciente.

Entretanto, a elevada temperatura necessária para sua fusão é um dos principais pontos críticos do desenvolvimento, especialmente quando se pretende incorporar princípios ativos. Nesses casos, a estabilidade térmica do insumo deve ser cuidadosamente avaliada antes da manipulação.


Relevância para a prática magistral

O desenvolvimento de balas e pirulitos à base de isomalte apresenta boa relevância para a prática magistral, principalmente como alternativa para ampliar o portfólio de formas farmacêuticas e melhorar a aceitação de determinadas preparações.

A possibilidade de produzir uma forma sem sacarose, com sabor, cor e formato personalizados pode ser particularmente interessante para prescrições destinadas ao público pediátrico e para pacientes que apresentam resistência às formas farmacêuticas convencionais.

Além disso, o desenvolvimento de uma segunda opção utilizando PEG 1500 e PEG 4000 amplia as possibilidades do laboratório, especialmente quando a temperatura elevada do isomalte pode comprometer a estabilidade do ativo.

Para o farmacêutico magistral, o principal desafio está no controle do processo: temperatura, moldagem, perda de material por aderência, estabilidade dos ativos e características finais de dureza precisam ser avaliados durante o desenvolvimento.


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Isomalte e isomaltulose: entenda as diferenças.

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