A hipertensão arterial é uma das doenças crônicas mais prevalentes no mundo e um dos principais fatores de risco para infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e doença renal crônica. Além do tratamento medicamentoso, estratégias como prática regular de atividade física, redução do consumo de sódio, aumento da ingestão de potássio e controle do peso são amplamente recomendadas para auxiliar no controle da pressão arterial.
Agora, um novo estudo publicado na Nature Communications trouxe um possível novo protagonista para essa discussão: o zinco. A descoberta surgiu de forma inesperada durante uma pesquisa voltada para doença de Alzheimer.
Uma descoberta feita por acaso
Pesquisadores da Universidade de Melbourne (Austrália) estudavam os efeitos da suplementação de zinco na função cerebral de ratos com doença de Alzheimer quando observaram um resultado inesperado: os animais apresentaram uma redução significativa da pressão arterial.
A partir dessa observação, a equipe direcionou seus esforços para compreender como o zinco poderia influenciar a função dos vasos sanguíneos e o controle da pressão arterial.
Como o zinco pode atuar na pressão arterial?
A pressão arterial depende, em grande parte, do grau de contração ou relaxamento da musculatura lisa que envolve as artérias e arteríolas.
Quando essa musculatura se contrai:
- o diâmetro dos vasos diminui;
- aumenta a resistência ao fluxo sanguíneo;
- ocorre elevação da pressão arterial.
Tradicionalmente, sabe-se que cálcio e potássio exercem papel fundamental nesse mecanismo. O novo estudo demonstrou que o zinco também participa desse processo.
Os pesquisadores verificaram que o aumento do zinco intracelular é capaz de atuar sobre:
- células musculares lisas vasculares;
- células endoteliais;
- nervos sensoriais.
O principal efeito observado foi a redução da concentração de cálcio nas células musculares dos vasos, favorecendo seu relaxamento (vasodilatação), aumentando o fluxo sanguíneo e reduzindo a pressão arterial.
O que os experimentos mostraram?
Os pesquisadores realizaram experimentos em vasos sanguíneos isolados de ratos e de tecido humano.
Quando o zinco intracelular foi reduzido por meio de um agente quelante, observaram que os vasos sanguíneos apresentavam maior contração.
Por outro lado, concentrações mais elevadas de zinco dentro das células favoreceram o relaxamento vascular.
Outro achado interessante foi que os vasos sanguíneos do:
- coração;
- cérebro,
demonstraram maior sensibilidade ao zinco quando comparados aos vasos de outras regiões do organismo.
Zinco no sangue é diferente do zinco dentro das células
Um aspecto importante destacado pelos pesquisadores é que a quantidade de zinco circulante no sangue não reflete necessariamente a concentração de zinco existente dentro das células vasculares.
Isso significa que simplesmente medir o zinco sérico não permite concluir como está a disponibilidade intracelular do mineral, que parece ser o verdadeiro responsável pelos efeitos observados sobre a pressão arterial.
Conclusão
Uma descoberta acidental revelou que o zinco pode exercer um papel importante na regulação da pressão arterial ao favorecer o relaxamento dos vasos sanguíneos por meio da redução do cálcio intracelular. Embora os resultados sejam promissores e apontem um novo mecanismo de controle vascular, estudos em humanos serão fundamentais para confirmar seu potencial terapêutico.
Relevância para a prática magistral
O estudo amplia o entendimento sobre o papel fisiológico do zinco na regulação do tônus vascular e abre perspectivas para futuras aplicações terapêuticas. O trabalho reforça a importância de manter níveis adequados desse mineral e estimula o desenvolvimento de novas pesquisas envolvendo formulações magistrais direcionadas à saúde cardiovascular.
Bibliografia consultada:
Betrie AH; et al. Zinc drives vasorelaxation by acting in sensory nerves, endothelium and smooth muscle. Nature Communications, 2021.
