Homocisteína pode estar envolvida na progressão da esteato-hepatite não alcoólica

Homocisteína pode estar envolvida na progressão da esteato-hepatite não alcoólica

A doença hepática gordurosa não alcoólica é caracterizada pelo acúmulo de gordura no fígado e está fortemente associada a condições como obesidade e diabetes. Quando a doença evolui com inflamação e formação de fibrose, pode ocorrer a progressão para a esteato-hepatite não alcoólica (EHNA), aumentando o risco de complicações hepáticas.

Apesar da elevada prevalência, ainda existem lacunas importantes na compreensão dos mecanismos envolvidos na progressão da doença.


Qual seria o papel da homocisteína?

A EHNA está associada a níveis elevados de homocisteína no sangue, mas até recentemente ainda não estava completamente esclarecido se esse aumento participava diretamente da progressão da doença.

Em um estudo realizado por pesquisadores de Cingapura, essa associação foi investigada utilizando modelos pré-clínicos e amostras humanas.

Os pesquisadores observaram que, à medida que os níveis de homocisteína aumentavam no fígado, o aminoácido poderia se ligar a diferentes proteínas hepáticas, alterando sua estrutura e prejudicando suas funções.

Um dos principais alvos identificados foi a sintaxina 17 (STX17).


A conexão com a autofagia

A sintaxina 17 participa de processos relacionados à autofagia, mecanismo celular responsável pela remoção e reciclagem de componentes celulares danificados.

Quando a homocisteína se liga à sintaxina 17, sua função é prejudicada. Como consequência, ocorre comprometimento de processos relacionados a:

  • metabolismo dos ácidos graxos;
  • renovação das mitocôndrias;
  • remoção de componentes celulares danificados;
  • controle da inflamação.

Segundo os pesquisadores, essa alteração pode contribuir para a progressão da doença hepática gordurosa para EHNA, favorecendo inflamação e fibrose hepática.


E onde entram a vitamina B12 e o ácido fólico?

Uma descoberta particularmente interessante ocorreu nos modelos pré-clínicos.

A suplementação com vitamina B12 e ácido fólico aumentou os níveis hepáticos de sintaxina 17 e restaurou sua função relacionada à autofagia.

Como consequência, os pesquisadores observaram retardo da progressão da EHNA, além de redução da inflamação e reversão da fibrose hepática nos modelos avaliados.

Esse resultado levanta a possibilidade de que a modulação do metabolismo da homocisteína possa representar uma estratégia para interferir nos mecanismos envolvidos na progressão da doença.


Homocisteína como biomarcador?

Além do potencial terapêutico, os pesquisadores sugerem que os níveis séricos e hepáticos de homocisteína possam futuramente ser utilizados como biomarcadores para auxiliar na avaliação da gravidade da EHNA.


Conclusão

O estudo identificou uma possível relação entre homocisteína, sintaxina 17 e autofagia na progressão da esteato-hepatite não alcoólica.

Nos modelos pré-clínicos, a suplementação com vitamina B12 e ácido fólico foi capaz de aumentar a expressão de sintaxina 17, restaurar a autofagia e reduzir alterações associadas à inflamação e à fibrose hepática.

Os resultados são promissores, mas é importante destacar que esses achados não significam que vitamina B12 e ácido fólico já sejam tratamentos estabelecidos para EHNA em humanos. São necessários estudos clínicos que confirmem se os efeitos observados nos modelos pré-clínicos também ocorrem em pacientes.

 

Bibliografia consultada:

Tripathi M; et al. Vitamin B12 and folate decrease inflammation and fibrosis in NASH by preventing Syntaxin 17 homocysteinylation. Journal of Hepatology, 2022

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