Fitoterápicos podem ajudar a modular a microbiota na colite?

Fitoterápicos podem ajudar a modular a microbiota na colite?

A colite envolve inflamação do cólon e pode estar associada a alterações na microbiota intestinal e a uma resposta imune desregulada. Apesar das diferentes opções terapêuticas disponíveis, nem todos os pacientes apresentam resposta satisfatória, o que estimula a busca por novas estratégias.

Nesse contexto, pesquisadores investigaram o potencial de um composto à base de fitoterápicos contendo gengibre, pimenta, ginseng e maltose sobre a inflamação intestinal.


O que os pesquisadores avaliaram?

O estudo, publicado na Frontiers in Immunology, utilizou camundongos com colite induzida experimentalmente por sulfato de sódio dextrano (DSS), uma substância capaz de provocar danos às células que revestem o cólon.

Após a indução da colite, os animais receberam o composto fitoterápico e foram avaliados quanto à evolução dos sinais clínicos, integridade da mucosa intestinal, microbiota e resposta imunológica.


E quais foram os resultados?

Os camundongos tratados apresentaram:

  • menor gravidade clínica da colite;
  • manutenção do peso corporal;
  • menor dano às células do cólon;
  • restauração de parte das bactérias intestinais reduzidas durante a colite;
  • aumento de bactérias do gênero Lactobacillus;
  • normalização dos níveis de propionato.

Os pesquisadores também observaram alterações na resposta imunológica intestinal.

Nos animais com colite não tratados, os níveis de células linfoides inatas do tipo 3 (ILC3) estavam reduzidos. O tratamento com o composto fitoterápico aumentou essas células, que participam da regulação da resposta imune na mucosa intestinal.


Como esses efeitos podem estar relacionados?

Os resultados sugerem uma possível relação entre a modulação da microbiota e da resposta imunológica intestinal.

A hipótese levantada pelos pesquisadores é que o composto possa favorecer a recuperação de bactérias benéficas, especialmente Lactobacillus, e contribuir para a produção de metabólitos como o propionato.

Essas alterações poderiam estar relacionadas à modulação das células ILC3 e, consequentemente, à redução da resposta inflamatória observada nos animais.


O que podemos concluir?

O estudo apresenta resultados promissores, mas é importante lembrar que se trata de uma investigação pré-clínica realizada em camundongos.

Portanto, os resultados não permitem afirmar que a combinação de gengibre, pimenta, ginseng e maltose seja eficaz no tratamento da colite em humanos. Estudos clínicos ainda são necessários para determinar sua segurança, eficácia, dose e aplicabilidade terapêutica.


Relevância para a prática magistral

Estudos que relacionam fitoterápicos, microbiota intestinal e modulação da resposta imune são especialmente relevantes para a prática magistral, pois ajudam a identificar novas possibilidades de investigação e de desenvolvimento de estratégias personalizadas.

Para a farmácia, esse tipo de evidência pode ser transformado em material técnico para apresentação aos prescritores, contextualizando mecanismos de ação, resultados experimentais e, principalmente, o nível de evidência disponível para cada proposta.

No caso deste estudo, o ponto mais importante para a comunicação com o prescritor é justamente diferenciar uma evidência pré-clínica promissora de uma eficácia clínica já comprovada.

É essa transformação da literatura científica em informação técnica, organizada e aplicável à prática, que permite à farmácia magistral ampliar sua conversa com o prescritor e apresentar novas possibilidades de personalização.

 

Bibliografia consultada:

Shi Z; et al. A Japanese Herbal Formula, Daikenchuto, Alleviates Experimental Colitis by Reshaping Microbial Profiles and Enhancing Group 3 Innate Lymphoid Cells. Frontiers in Immunology, 2022.

WhatsApp
Facebook
Telegram
Twitter
LinkedIn