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Carnaval chegando e nessa época o que é mais procurado nas farmácias? A fórmula mágica para ressaca! Pois bem… vamos aos fatos: fórmula mágica depois de abusar do álcool infelizmente ainda não existe. Mas calma! Há uma série de nutracêuticos que podem ser utilizados antes e depois da “bebedeira” para amenizar o estrago. Confira a lista dos insumos mais promissores descrito em literatura científica.

Por que beber causa ressaca?

Quando ingerimos álcool nosso corpo irá metabolizá-lo em acetaldeído, uma substância tão tóxica quanto o próprio álcool e responsável pelos sintomas de náuseas, vômitos, dor de cabeça e fadiga. Para eliminar o acetaldeído, produzimos grandes quantidades de glutationa (nosso principal antioxidante). O fígado fica sobrecarregado tentando eliminar todas as toxinas.

Quais nutracêuticos são relatados em estudo científicos?

Os nutracêuticos mais promissores são aqueles capazes de evitar a sobrecarga hepática, reestabelecer os níveis de glutationa e de nutrientes perdidos durante o consumo excessivo de álccol. São eles:

– N-acetilcisteína (NAC)

O NAC é uma forma do aminoácido cisteína e precursora do antioxidante endógeno glutationa, junto com os aminoácidos glutamato e glicina. Em pesquisas com animais, descobriu-se que o NAC reduz a toxicidade e o estrtess oxidativo induzidos pelo álcool em tecidos como cérebro e fígado. Em outro estudo, a combinação de NAC com vitamina C modificou a atividade das enzimas de desintoxicação e reduziu a produção de radicais livres desencadeados pelo álcool. 

– L-cisteína

Pessoas que tomaram um suplemento de L-cisteína após três horas de ingestão de álcool relataram níveis mais baixos de náuseas, dores de cabeça e ansiedade na manhã seguinte do que aqueles que tomaram um placebo. Em uma pesquisa para avaliar a relação da cisteína com os níveis de acetaldeído mostrou que os indivíduos que receberam L-cisteína 60 minutos antes da ingestão de álcool tiveram concentrações significativamente mais baixas de acetaldeído do que aqueles que ingeriram placebo.

– Glutationa

A glutationa, um importante composto de desintoxicação e antioxidante pode ser encontrada nas células de todo o corpo e em maior concentração no fígado. O álcool reduz os níveis de glutationa no fígado, o que pode levar à lesão das células hepáticas e contribuir para o desenvolvimento da doença hepática alcoólica. Em um estudo com ratos, duas semanas de administração de glutationa antes da exposição ao álcool levaram a uma limpeza mais eficiente e a níveis sanguíneos mais baixo de álcool e acetaldeído. Mesmo os ratos que receberam glutationa em altas doses após a exposição ao álcool experimentaram uma eliminação mais rápida do álcool e do acetaldeído e níveis mais baixos de radicais livres de oxigênio do que os ratos controle que receberam apenas água.

– Taurina

A Taurina acelera a eliminação do acetaldeído. Em estudo clínico com taurina, uma dose de 20 mg/kg foi usada, 1 hora antes e 1 hora depois do consumo de álcool. O resultado mostrou que os níveis sanguíneos de acetaldeído foram reduzidos significativamente em cerca de um terço. Diversos estudos mostram que além de auxiliar na redução de acetaldeído, a taurina previne a toxicidade do álcool reduzindo estresse oxidativo, inflamações e lesões teciduais.

– S-Adenosil Metionina (SAME)

A concentração de SAME é crítica para a formação do antioxidante celular glutationa e também para participar das vias de metilação que neutralizam a homocisteína, uma toxina celular. O álcool interrompe a formação de SAME. A suplementação de SAME em estudos parece melhorar a função hepática em animais e humanos expostos ao álcool. Investigação usando um modelo animal mostrou que o SAME pode proteger o fígado contra os efeitos tóxicos do álcool devido a melhora da função mitocondrial no tecido hepático e por facilitar a síntese de glutationa.

– Vitamina C

A vitamina C tem demonstrado potencial como agente anti-ressaca ao prevenir o estresse oxidativo no fígado de ratos alimentados com álcool. A administração de vitamina C restaurou os níveis de glutationa no fígado ao normal após a alimentação com álcool e diminuiu o estresse oxidativo induzido pelo álcool em comparação com ratos alimentados com álcool que não receberam vitamina C. Outros estudos em ratos sugeriram que a vitamina C pode proteger contra danos nos tecidos relacionados ao álcool em neurônios, rins e vasos sanguíneos.

– Magnésio

O consumo de álcool desencadeia rapidamente a perda de magnésio dos tecidos, incluindo o cérebro e o fígado. Sob a influência do álcool, esse magnésio é perdido na urina, resultando em uma tendência à diminuição do magnésio sérico. A redução geral resultante na disponibilidade de magnésio faz com que os vasos sanguíneos se contraiam e pode ajudar a explicar as associações entre o consumo excessivo de álcool e hipertensão, problemas cardíacos e derrame. Um relatório clínico descreveu níveis baixos de magnésio no sangue em cinco indivíduos com cefaleia e ressaca induzidas pelo álcool, que foram tratados com sucesso com magnésio intravenoso. Uma forma de magnésio chamada L-treonato de magnésio demonstrou elevar os níveis de magnésio no cérebro em pesquisas com animais.

– Selênio

O oligoelemento selênio é necessário para o funcionamento adequado do sistema antioxidante da glutationa peroxidase, e baixos níveis de selênio foram observados em pessoas com doença hepática alcoólica. Descobertas de pesquisas com animais sugerem que episódios de consumo excessivo de álcool podem causar uma diminuição nos níveis de selênio no sangue e no fígado, resultando em menor atividade da glutationa e maior estresse oxidativo. Outra pesquisa mostra que a suplementação de selênio pode prevenir esses efeitos negativos.

– Complexo B

O uso de álcool promove a depleção de vitaminas do complexo B, principalmente a B1, B3, B6 e o folato. Alguns protocolos sugerem fazer a reposição de vitaminas do complexo B em pacientes que costumam exagerar no consumo do álcool.

– Vitamina E

Vários estudos em animais mostraram que o tratamento com vitamina E diminui os marcadores de inflamação crônica induzida pelo álcool, estresse oxidativo e lesão tecidual. Um modelo animal mostrou que a vitamina E evitou o estresse oxidativo e a depleção de glutationa após a exposição aguda ao álcool, e esse efeito foi potencializado pelo tratamento concomitante com metilselenocisteína, uma forma de selênio. 

– Curcumina

Em um estudo preliminar, sete homens saudáveis ​​beberam álcool apenas com água ou com uma preparação de curcumina e água. Os níveis de acetaldeído no sangue foram significativamente mais baixos no grupo da curcumina.. Além disso, vários estudos em animais sugerem que a curcumina pode reduzir o estresse oxidativo relacionado ao álcool, inflamação e lesão tecidual. Alguns especialistas sugerem o uso da curcumina como anti-inflamatório na manhã do dia seguinte para aliviar os sintomas de ressaca.

– Ácido lipoíco

O ácido lipóico é um composto contendo enxofre que aumenta os níveis de glutationa e neutraliza alguns tipos de radicais livres. O ácido lipóico também participa da reciclagem de vitaminas C e E, atenua a inflamação e tem sido demonstrado em ambientes de laboratório para aumentar a atividade da aldeído desidrogenase, que decompõe o acetaldeído.

Em pesquisas com animais, ratos e camundongos que receberam ácido lipóico mostraram menos motivação para consumir álcool. Além disso, os animais tratados com ácido lipóico antes do consumo de álcool tinham níveis mais baixos de radicais livres em seu tecido cerebral e mostraram menos indução a problemas comportamentais do que aqueles tratados apenas com álcool.

Panax ginseng

Panax ginseng , também conhecido como Ginseng Coreano ou Vermelho, é uma planta medicinal historicamente usada para tratar a fadiga, aumentar a energia e construir resistência e resiliência. Um estudo com 25 homens saudáveis ​​comparou o efeito de tomar 32 mg de um extrato de raiz de Panax ginseng dissolvido em água junto com 100 mL de uísque. Os participantes experimentaram menos fadiga, menos sintomas cognitivos, menos sede e menos dores de estômago após tomar ginseng com uísque do que após tomar uísque e água apenas.

Descobertas de pesquisas com animais sugerem que o Panax ginseng e seus constituintes reduzem a lesão tecidual relacionada ao álcool ao inibir a atividade dos radicais livres de oxigênio e a inflamação e, possivelmente, ao aumentar as taxas de eliminação de álcool e acetaldeído do corpo.

– Espirulina

Sugere-se que a Espirulina seja um eficaz preventivo de ressaca suprimindo os níveis de acetaldeído após o consumo de etanol e antagoniza certos níveis tóxicos deste composto.

– Fosfatidilcolina

Estudos mostram que o uso de fosfatidilcolina reduz a produção de radicais livres e evita danos oxidativos induzidos por álcool nas células hepáticas, prevenindo fibrose hepática e cirrose.

Sugestões de fórmulas:

É possível formular dezenas de compostos para auxiliar os pacientes naqueles sintomas horríveis de ressaca. Abaixo algumas sugestões:

Sachê Pré-drink
Taurina1,5 g
Ácido lipoico500 mg
Vitamina C1 g
N-acetilcisteína1,5 g
Base para sachê aroma a escolherqsp

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Sachê pós-drink
L-cisteína1,5 g
Espirulina5 g
Vitamina E200 ui
Metilselenocisteína100 mcg
Base para sachê aroma a escolherqsp

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Cápsula do dia seguinte
Magnésio L treonato300 mg
Curcumina300 mg

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O equilíbrio é a chave

O excesso de álcool pode ser extremamente danoso ao organismo e causar diversas patologias não só hepáticas mas também psicológicas (dependência), alguns tipos de câncer além de encorajar a violência. O ideal é manter o controle e não exagerar porque os efeitos da ressaca nada mais são do que um processo de intoxicação e o fígado está tentando a todo custo eliminar as substâncias tóxicas.

Por outro lado, o consumo moderado e regular podem até apresentar benefícios. Há estudos que relatam que o consumo com moderação pode melhorar a sensibilidade a insulina, apresentar menor riscos cardiovasculares, diabetes e demências. Mas esse já é assunto para uma próxima matéria.

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Referências consultadas:

Shirpoor A, et al. Alpha–lipoic acid decreases DNA damage and oxidative stress induced by alcohol in the developing hippocampus and cerebellum of rat. Cell Physiol Biochem 2008.

Ozaras R, et al. N-acetylcysteine attenuates alcohol-induced oxidative stess in rats. World J Gastroenterol, 2003.

Wenzel P, et al. Role of reduced lipoic acid in the redox regulation of mitochondrial aldehyde dehydrogenase (ALDH-2) activity. Implications for mitochondrial oxidative stress and nitrate tolerance. J Biol Chem 2007.

McCarty MF, et al. Nutraceutical strategies for ameliorating the toxic effects of alcohol. Medical Hypotheses, 2013.

Eriksson CJP, et al. L-Cysteine Containing Vitamin Supplement Which Prevents or Alleviates Alcohol-related Hangover Symptoms: Nausea, Headache, Stress and Anxiety. Alcohol and Alcoholism, 2020

Okata H, et al. Detection of Acetaldehyde in the Esophageal Tissue among Healthy Male Subjects after Ethanol Drinking and Subsequent L-Cysteine Intake. Tohoku J Exp Med 2018

Ozkol H, et al. Protective Effects of Selenium, N-Acetylcysteine and Vitamin E Against Acute Ethanol Intoxication in Rats. Biol Trace Elem Res. 2016.

Yao Z, et al. Synergistic effect of Se-methylselenocysteine and vitamin E in ameliorating the acute ethanol-induced oxidative damage in rat. J Trace Elem Med Biol.,2015.

Tiwari V, Kuhad A, Chopra K. Neuroprotective effect of vitamin E isoforms against chronic alcohol-induced peripheral neurotoxicity: possible involvement of oxidative-nitrodative stress. Phytotherapy research: PTR., 2012.

Tiwari V, Kuhad A, Chopra K. Tocotrienol ameliorates behavioral and biochemical alterations in the rat model of alcoholic neuropathy. Pain2009.

Lee MH, et al. Red ginseng relieves the effects of alcohol consumption and hangover symptoms in healthy men: a randomized crossover study. Food Funct., 2014.

Disponível em Life Extension. Traduzido e adaptado por Magistral Guide

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