Probióticos podem ajudar nos distúrbios gastrointestinais funcionais em bebês

Probióticos podem ajudar nos distúrbios gastrointestinais funcionais em bebês

Os bebês frequentemente apresentam sintomas gastrointestinais que, na ausência de uma causa orgânica identificada, podem ser classificados como distúrbios gastrointestinais funcionais (DGIFs).

Estima-se que uma em cada duas crianças desenvolva algum DGIF durante os primeiros seis meses de vida, situação que pode gerar preocupação para os pais e aumentar a procura por atendimento pediátrico.

Entre os DGIFs mais frequentes estão a cólica infantil e a constipação funcional, que podem acometer uma parcela significativa das crianças no primeiro ano de vida.


Existe relação com a microbiota intestinal?

Estudos mostram que a microbiota intestinal de bebês com DGIFs apresenta diferenças em relação à de crianças saudáveis.

Uma das hipóteses levantadas é que uma colonização intestinal inadequada durante o período neonatal possa preceder o desenvolvimento de determinados distúrbios gastrointestinais.

A partir disso, pesquisadores têm investigado se determinadas cepas probióticas poderiam contribuir para modular a microbiota intestinal e melhorar os sintomas gastrointestinais dos bebês.


O que o estudo avaliou?

Pesquisadores publicaram na Frontiers in Microbiology um estudo sobre o potencial probiótico de duas cepas:

  • Bifidobacterium longum KABP042
  • Pediococcus pentosaceus KABP041

O trabalho foi dividido em diferentes etapas para avaliar a segurança e as características probióticas das cepas.

Primeiramente, os pesquisadores realizaram uma análise in silico para verificar a presença de possíveis fatores de virulência.

Depois, as cepas foram submetidas a testes de toxicidade utilizando ratos como modelo experimental.

Na etapa seguinte, foram realizados estudos in vitro para verificar se as bactérias eram capazes de:

  • resistir às condições gástricas e biliares;
  • sobreviver ao ambiente gastrointestinal;
  • apresentar boa adesão às células intestinais humanas.

Por fim, foi realizado um estudo in vivo envolvendo 36 lactentes diagnosticados com pelo menos um distúrbio gastrointestinal pediátrico, incluindo cólica infantil e/ou constipação funcional.


E quais foram os resultados?

A combinação das duas cepas foi bem tolerada pelos lactentes.

Além disso, após 14 dias de tratamento, foi observada uma redução significativa na gravidade dos distúrbios gastrointestinais funcionais pediátricos.

Os resultados sugerem que as duas cepas podem apresentar propriedades probióticas complementares e potencial para atuar de maneira sinérgica na melhora dos sintomas.


Conclusão

Os resultados desse trabalho fornecem evidências preliminares sobre o potencial das cepas B. longum KABP042 e P. pentosaceus KABP041 como estratégia probiótica para distúrbios gastrointestinais funcionais em lactentes.

Entretanto, é importante considerar que a etapa clínica envolveu apenas 36 bebês e 14 dias de tratamento. Portanto, embora os resultados sejam promissores, estudos clínicos maiores e com acompanhamento mais prolongado são necessários para confirmar a eficácia e estabelecer melhor o papel dessas cepas no manejo dos DGIFs pediátricos.


Relevância para a prática magistral

O estudo é especialmente interessante para a farmácia magistral pediátrica, pois demonstra que os efeitos dos probióticos são dependentes da cepa

Para o desenvolvimento de uma formulação magistral, é fundamental considerar a identificação específica da cepa, concentração, estabilidade, veículo e condições de armazenamento, além das evidências clínicas disponíveis para a indicação pretendida.

 

Bibliografia consultada:

Astó E; et al. Probiotic Properties of Bifidobacterium longum KABP042 and Pediococcus pentosaceus KABP041 Show Potential to Counteract Functional Gastrointestinal Disorders in an Observational Pilot Trial in Infants. Frontiers in Microbiology, 2022.

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