O exercício de alta intensidade pode aumentar o estresse oxidativo, a inflamação e o dano muscular, com elevação de marcadores como tioredoxina, mieloperoxidase e creatina quinase (CK). Dessa forma, estratégias capazes de atenuar essas respostas podem contribuir para a recuperação e, potencialmente, para o desempenho físico.
A quercetina é um flavonoide com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Alguns estudos já haviam sugerido que seu uso crônico poderia reduzir o estresse oxidativo e a inflamação associados ao exercício.
Diante disso, pesquisadores chineses buscaram avaliar se uma suplementação de curto prazo seria capaz de produzir efeitos semelhantes.
Como foi realizado o estudo?
Participantes saudáveis e fisicamente ativos foram randomizados para receber:
- 1.000 mg de quercetina/dia, durante 7 dias; ou
- placebo.
Após o período de suplementação, os participantes realizaram um protocolo de exercício que simulava uma situação de competição de ciclismo.
Inicialmente, realizaram 60 minutos de ciclismo a 70% do VO₂máx, seguidos por 3 horas de recuperação. Na sequência, realizaram uma sessão de ciclismo a 75% do VO₂máx até a exaustão.
Foram avaliados o tempo até a exaustão, marcadores de dano muscular, metabolismo energético, estresse oxidativo e resposta inflamatória.
Quais foram os resultados?
Após sete dias de suplementação, a quercetina:
- aumentou a capacidade antioxidante total;
- aumentou a atividade da superóxido dismutase (SOD);
- reduziu os níveis de malondialdeído (MDA) durante a recuperação;
- atenuou a resposta à insulina após o exercício;
- reduziu as respostas de interleucina-6 (IL-6) e creatina quinase (CK) após 24 horas.
Além disso, o desempenho no exercício subsequente foi significativamente melhor: os participantes que receberam quercetina apresentaram maior tempo de ciclismo até a exaustão.
Qual seria o mecanismo?
Segundo os pesquisadores, os resultados podem estar relacionados, pelo menos em parte, ao aumento da captação de glicose estimulada pela insulina e à redução do estresse oxidativo e da resposta pró-inflamatória provocados pelo exercício intenso.
Conclusão
Os resultados sugerem que 1.000 mg/dia de quercetina durante sete dias pode aumentar a tolerância ao exercício de alta intensidade e melhorar alguns marcadores relacionados ao estresse oxidativo, inflamação e dano muscular.
Assim, a quercetina apresenta potencial ergogênico para melhorar o desempenho em exercícios de alta intensidade, especialmente no ciclismo. Entretanto, os resultados devem ser interpretados dentro das características específicas do protocolo estudado e da população avaliada.
Relevância para a prática magistral
O estudo é interessante para o desenvolvimento de estratégias magistrais voltadas à nutrição esportiva, especialmente em protocolos que buscam associar desempenho e recuperação após exercícios de alta intensidade.
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Bibliografia consultada:
Tsao JP; et al. Short-Term Oral Quercetin Supplementation Improves Post-exercise Insulin Sensitivity, Antioxidant Capacity and Enhances Subsequent Cycling Time to Exhaustion in Healthy Adults: A Pilot Study. Nutrition and Sustainable Diets, 2022.
