Rhodiola rosea pode influenciar a glicemia e a resistência à insulina?

Rhodiola rosea pode influenciar a glicemia e a resistência à insulina?

A Rhodiola rosea é conhecida como um fitoterápico adaptógeno, tradicionalmente estudado por sua capacidade de auxiliar o organismo diante de diferentes tipos de estresse.

Além dessa característica, pesquisas vêm investigando possíveis efeitos da Rhodiola rosea sobre a inflamação, microbiota intestinal e metabolismo.

Agora, pesquisadores americanos avaliaram pela primeira vez os efeitos de um extrato de raiz de Rhodiola rosea em um modelo animal desenvolvido para estudar mecanismos relacionados ao diabetes tipo 2.


O que os pesquisadores investigaram?

Os pesquisadores utilizaram camundongos para avaliar se o tratamento com extrato de raiz de Rhodiola rosea poderia interferir em parâmetros metabólicos relacionados ao diabetes.

A atenção dos pesquisadores estava especialmente voltada para a glicemia, resposta à insulina e marcadores inflamatórios, além de possíveis alterações relacionadas à microbiota intestinal.


E quais foram os resultados?

O tratamento com Rhodiola rosea foi associado a:

  • melhora da glicemia de jejum;
  • alteração da resposta à insulina exógena;
  • redução dos níveis circulantes de lipopolissacarídeos (LPS);
  • redução da proteína C-reativa hepática.

Esses resultados sugerem que o extrato pode atuar sobre diferentes componentes relacionados ao metabolismo e à inflamação.


E onde entra a microbiota?

Uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores envolve o eixo intestino-metabolismo.

A redução dos níveis de LPS pode indicar uma menor passagem de componentes bacterianos para a circulação.

Segundo os autores, a Rhodiola rosea pode ter modulado a microbiota intestinal e contribuído para melhorar a integridade da barreira intestinal, reduzindo a translocação de moléculas inflamatórias para a corrente sanguínea.

Essa possível relação é particularmente interessante porque a inflamação de baixo grau e alterações na barreira intestinal vêm sendo estudadas como fatores relacionados a alterações metabólicas.


Mas a Rhodiola pode ser utilizada para tratar diabetes?

Os resultados são provenientes de um modelo animal de diabetes tipo 2 e representam uma evidência pré-clínica.

Embora os achados sejam promissores, ainda são necessários estudos clínicos para determinar se os mesmos efeitos ocorrem em seres humanos, quais doses seriam adequadas e se a utilização do extrato realmente produz benefícios clinicamente relevantes sobre glicemia, resistência à insulina e inflamação.


Relevância para a prática magistral

O estudo amplia o interesse pela Rhodiola rosea para além de sua tradicional utilização como adaptógeno, apresentando possíveis relações entre metabolismo, inflamação e microbiota intestinal.

Para a prática magistral, esses resultados podem estimular a investigação de formulações individualizadas voltadas ao suporte metabólico, especialmente dentro do conceito de eixo intestino-metabolismo.

A conexão entre microbiota, inflamação e metabolismo pode revelar novas possibilidades terapêuticas — e a Rhodiola rosea acaba de ganhar mais um caminho para ser investigado.

 

Bibliografia consultada:

Jafari M; et al. The impact of Rhodiola rosea on biomarkers of diabetes, inflammation, and microbiota in a leptin receptor-knockout mouse model. Scientific report, 2022.

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